Roda Viva com Eduardo Campos

Publicado: 6 de junho de 2014 em Política
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Ex-governador de Pernambuco pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos apresenta-se como um novo nome na política, mas sua carreira na área iniciou-se 1987, atuando como chefe de gabinete no governo estadual de seu avô, Miguel Arraes. Desde então, atuou como deputado estadual (1 mandato), deputado federal (3 mandatos), Ministro da Ciência e Tecnologia durante o governo Lula e, por fim, governador por dois mandatos.

Atual presidente de seu partido, fazia parte da bancada aliada no governo federal até 2013, quando rompeu o Partido dos Trabalhadores (PT). Começaram então especulações de que o PSB lançaria candidato próprio, na figura de Campos. Especulações que se confirmaram com a filiação da Marina Silva ao PSB e o anúncio de que ela seria sua vice-candidata.

No dia 26 de maio, Campos foi o primeiro presidenciável a ser entrevistado pela bancada do programa Roda Viva, na TV Cultura. De terno, mas sem gravata, apresentou um visual ao mesmo tempo sério e despojado. Como todo político de carreira, é especialista em responder indagações sem sequer mencionar o que foi perguntado. Na análise que segue, vou aprofundar alguns pontos que achei mais pertinentes da entrevista.

O primeiro aspecto que chamou a atenção, é o fato dele criticar a presidente Dilma e poupar o ex-presidente Lula. Neste ponto, ele usa um discurso similar ao de Marina Silva em 2010, apresentando-se como alguém que vai “continuar as conquistas dos governos anteriores sem ser continuísta”. Então ele apresenta-se como oposição ao que alega serem erros do governo atual, mas não às conquistas sociais das eras Lula-Dilma.

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Apesar de ter encampado o discurso da “Nova Política” de Marina Silva e da Rede (seu partido ainda inexistente), ainda não existe uma proposta concreta de como será viável uma política funcional para o país sem a participação de partidos que fazem questão de estar no poder, pouco importando o aspecto ideológico que, em tese, representam. Ele não conseguiu responder como manteria políticos como José Sarney e Jader Barbalho fora de sua base, ou porque deveria aceitá-los.

A fala de que “quando a agenda política ‘cola’ na sociedade, esta mesma sociedade participa e cobra” parece funcionar, mas ao citar o impeachment de Fernando Collor como um exemplo disso, fico com um certo receio do que ele realmente acredita ser agenda política e sociedade participativa.

Campos se posiciona como um candidato verdadeiramente de esquerda e que pode quebrar a dicotomia entre PT e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), mais uma vez reproduzindo o discurso de Marina no último pleito. Seu argumento é de que rompeu com o governo Dilma após constatar uma série de erros. Mas isso soa oportunista ter percebido isto um ano antes das eleições.

Algo que tem incomodado é a justificativa para alianças que, dado histórico de envolvidos, não se justificam. Antes se alegava “governabilidade”, pois não seria possível governar sozinho. Agora, o termo recorrente é “aliança programática”, mas, todas as vezes em que se pergunta sobre este programa que gerou a aliança, não existem respostas concretas, deixando claro que o mesmo não existe.

Os entrevistadores não pegaram leve com o pré-candidato, mas algumas perguntas feitas parecem, digamos, uma vã tentativa de parecer polêmico ou querer colocar o candidato na parede. Quando alguém pergunta “você realmente acredita nesta proposta ou fez somente para agradar o eleitorado conservador?”, espera que tipo de resposta?

Campos poderia sim ser uma alternativa viável à disputa PT X PSDB, mas sua aliança com Marina Silva limita bastante a sua atuação e formação de alianças. Marina, apesar de seus expressivos 20% na última eleição presidencial, foi responsável pelo crescimento da influência da religião na política, o que gerou retrocesso em questão como casamento gay, aborto e legalização de drogas. Ela deslumbrou-se com seu número de votos, mas sequer conseguiu montar seu próprio partido, tudo isso vai refletir nesta aliança durante as eleições.

Além disso, esta postura “nem oposição e nem situação” não elegeu Alckmin em 2006 e nem Marina em 2010. Por que seria diferente agora?

Abaixo você pode asssistir ao programa completo.

(Ilustração: Fernando “Fera” Carvalho)

 

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