Arquivo de agosto, 2014

(Você pode ler a primeira parte deste texto aqui)

marina 2

Conforme a palhaçada entre PT e PSDB crescia e ficava cada vez mais difícil diferenciar quem era acusador ou quem era acusado, o eleitorado começou a prestar atenção na terceira colocada nas pesquisas: Marina Silva pelo Partido Verde e com uma coligação sem força política expressiva.

O tempo seu de televisão era 1 minuto e pouco, mas como ela pontuava relativamente bem nas pesquisas e a mídia costuma cobrir pelo menos os três primeiros nomes, foi tendo seu espaço garantido. Com os debates, começou a crescer, mostrando-se inclusive mais agressiva do que o esperado de uma mulher com a sua aparência frágil. E foi martelando que essa eleição não era um plebiscito entre A e B, assim como ela era a candidata da continuidade e não do continuísmo. Parecia besteira semântica a princípio, mas o tempo provou que não.

A meu ver. o ponto de virada foi o debate on-line Folha/UOL. Este debate ocorreu em um dia de semana de manhã. Só quem tinha internet no trabalho ou quem estivesse em casa pode acompanhar o debate. Justamente esse povo que se acha super engajado, mas só acompanha o que rola de quatro em quatro anos (quando isso). No encerramento deste, Marina Silva, alfabetizada aos 16 anos, definiu-se como “um milagre da educação”. Aposto que tinha gente no meu Twitter chorando nessa hora.

E por que esse foi o ponto de virada?
(mais…)

Anúncios

pt x psdb

Independente de quem vá ganhar o 2° turno da eleição presidencial deste ano, a única candidatura realmente vitoriosa foi a de Marina Silva pelo Partido Verde (PV). Parece uma grande loucura dizer isso uma vez que ela não foi eleita e não passou de 3° nas pesquisas, mas vamos analisar o cenário e seus fatores um pouco mais a fundo, já que tanto José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estiverem em algum momento da corrida presidencial com o jogo praticamente ganho e, por erros da própria equipe de campanha ou de algum aliado, colocaram tudo a perder.

Serra despontava como favorito até o primeiro semestre, mas aí sentou em cima de seu favoritismo e usou e abusou disso antes do início oficial da campanha. Primeiro atropelou adversários dentro do próprio partido, barrando uma votação interna para a escolha de um candidato tucano e assim tirando Aécio Neves (MG) do páreo. Mas o mineiro tem uma base ampla dentro do partido (incluindo aí Geraldo Alckmin em São Paulo) e esse racha interno seria notado em todo o decorrer da campanha, com candidaturas do partido e da base aliada mostrando José Serra muito pouco ou até mesmo o omitindo totalmente em programas e santinhos.

Depois veio a demora em oficializar a candidatura. Pode parecer bobagem diante do fato que todo mundo já sabia que ia ser ele mesmo, mas diante da burocracia sem fim que é a Legislação Eleitoral brasileira, isso faz muita de diferença para definir alianças, arrecadações, doações e material de campanha.

E a cartada final foi a “escolha” do vice-candidato empurrado à força pelo DEM. A única coisa notável no currículo de Índio da Costa era ele ter sido o redator do projeto de lei Ficha Limpa e MAIS NADA. Era nítido que o partido aliado não tinha nada melhor para oferecer e a escolha foi alvo de chacota para muita gente.

Durante a campanha em si, o candidato José Serra parecia sofrer de uma doença muito em moda atualmente: Transtorno Bipolar. Ele tinha que falar mal a Dilma sem falar mal do Lula, um presidente com mais de 70% de índice de aprovação. E aí tivemos aquele discurso esquizofrênico, onde se falava mal do governo e se mostrava alinhado a Lula. Claro que ninguém engoliu isso e Serra caía cada vez mais nas pesquisas.

(mais…)