Arquivo de setembro, 2014

(Originalmente publicado em Contraversão em 30/10/2012)

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“Você quer saber sobre eleição. Eu tô aqui pra falar sobre eleição. Faz de conta que você tá em uma imensa boate subterrânea cheia de pecadores, putas, malucos e coisas inomináveis que estupram pit-bulls só de farra. E você não pode sair, não até que todo mundo vote no que vocês vão fazer esta noite. VOCÊ que pôr os pés pra cima e assistir a reprise do seu seriado favorito. ELES querem trepar com uma pessoa normal usando facas, revólveres e novos órgãos sexuais que você nem sabia que existiam. Então você vota na TV, e o resto, até onde você consegue enxergar, vota em te comer com canivetes. Isso é eleição. Bem-vindo.”

Spider Jerusalém, Transmetropolitan

No Fest Comix, a Panini lançou o terceiro volume encadernado da HQ, Transmetropolitan. O timming não poderia ser mais apropriado, já que o que move as histórias deste álbum são as eleições e, tanto aqui em São Paulo quando em todas cidades do país, acabamos de voltar às urnas para o segundo turno das eleições municipais.

Para quem não sabe do que se trata Transmetropolitan, um breve resumo: Spider Jerusalem é um jornalista que se isolou em uma montanha, incapaz de lidar com a fama e assédio de fãs. Mas, após cinco solitários e felizes anos, é obrigado a voltar para a cidade, pois só assim poderia escrever dois livros que deve para uma editora. Enquanto pensa em como fazer as publicações, volta a trabalhar em um grande jornal, onde destila sua amarga visão de mundo em uma coluna semanal intitulada “Eu Odeio Isso Aqui”.

Escrita por Warren Ellis e com desenhos de Darick Robertson, esta série se destaca pelo seu protagonista e pelo cenário onde ele atua. Spider Jerusalem odeia pessoas, está em um local cheio delas e tem que lidar com elas diariamente para poder trabalhar. Não disfarça isso nem um pouco e faz questão de ser o mais ofensivo possível. O jornalista sobrevive em um mundo futurista onde as pessoas não sabem (ou não fazem questão de saber) em que ano estão. Além disso, qualquer coisa é possível, desde realidade virtual até clones sem cérebro para fornecer carne humana para lanchonetes, passando por implantes bizarros, pombas com quatro asas e muito mais.

E o que isso tudo tem a ver com São Paulo?

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Famoso pelo seu som pesado e pela constante troca de seus integrantes, o Queens of The Stone Age (QotSA) foi formado em 1996 em Palm Beach, nos EUA. Um de seus maiores feitos foi tornar conhecido um sub-gênero que não era famoso até o início dos anos 2000, o stoner rock. Este estilo é marcado pela combinação de riffs pesados, distorções psicodélicas e produção retro.

O único membro da formação inicial do grupo é o vocalista, guitarristas e compositor Josh Homme. Antes de fundar o QotSA, ela já havia passado pelo Kyuss, pelo Screaming Trees e por seu projeto solo, batizado de Desert Sessions. Foi ali que encontrou o experimentalismo musical que seria a marca de sua próxima banda, o QotSA.

O grupo só conseguiu alcançar o estrelato em seu terceiro álbum, Songs for the Deaf. Lançado em 2001, parte de seu sucesso pode ser creditado à participação ilustre da Dave Grohl na bateria. O músico já era conhecido por ter sido baterista do Nirvana, mas ficou realmente famoso como vocalista, guitarrista e compositor do Foo Fighters.

Sucesso de público e crítica, Songs for the Deaf tornou o QotSA uma das grandes bandas do rock mundial.  Os álbuns seguintes, Lullabies to Paralyze, Era Vulgaris e …Life Clockwork continuaram a meteórica carreira da banda, com álbuns no topo das principais paradas e show lotados.

O QotSA atualmente está em turnê divulgando o …Life Clockwork, álbum que contou com as participações de Trent Reznor (Nine Inch Nails), Elton JohnJake Shears (Scissor Sisters), Alex Turner (Arctic Monkeys), Dave GrohlNick Oliveri e Alain Johannes.

(Publicado originalmente em Budweiser)

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O recente anúncio do reboot na cronologia da DC Comics fez explodir mais uma vez na minha timeline do Twitter a velha rixa entre Marvetes (fãs da Marvel Comics) e Dcnautas (fãs da DC). Se você acha que o futebol é algo que leva as pessoas a discutirem um assunto aparentemente inútil por horas, deveria acompanhar essa briga mais de perto, já que ela é muito pior.

Primeiro porque estes “times” enfrentam-se há anos em um embate que nunca vai acabar, umas vez que estamos falando de produtos de um ramo da Indústria Cultural calcados na eternidade de suas histórias. Segundo porque não temos dados concretos para quantificar quem é a melhor editora entre as duas, ao contrário dos placares de jogos de futebol, e então toda a discussão se baseia na subjetividade dos fãs de ambos os lados.

Mas quais são as diferenças concretas entre as duas maiores editoras de histórias em quadrinhos de super-heróis? Eu resumo assim: a Marvel é “modinha” e a DC é “icônica”.

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“Muitas histórias são contadas acerca Kratos, o Fantasma de Esparta. De como sua pele é recoberta das cinzas daqueles que matou. De como vendeu sua alma a Ares. Dos serviços prestados aos deuses do Olimpo em troca de redenção. De como foi ao Tártaro e voltou. De como se tornou um deus. De como nada ficou no caminho de sua vingança. E de um ódio sem fim capaz de destruir os Titãs, os Olimpianos e até a si mesmo. Saibam que todas estas lendas são verdadeiras, mas não dizem tudo sobre ele…”.

Em 2005, a Sony Computer Entertainment de Santa Mônica lançou um jogo que foi sucesso de crítica e público: God of War. Inspirado nas lendas da Mitologia Grega, o game trouxe a história de um homem a serviço dos deuses do Monte Olimpo, realizando tarefas diversas em busca de perdão por seus crimes. Quando Ares, o Deus da Guerra, incomodado com a soberania da cidade de Atenas, resolve pessoalmente destruir o local, é este homem quem os deuses enviam para impedir a tragédia.

Este sujeito é Kratos. Capitão dos exércitos de Esparta, quase encontrou a morte ao enfrentar uma horda de bárbaros. Prestes a ser derrotado, ofertou sua alma e jurou servidão eterna a Ares, caso conseguisse poder para matar seus inimigos. O Deus da Guerra lhe envia duas armas mágicas: as Lâminas do Caos. Com elas, o espartano não só massacra seus inimigos, como inicia uma longa trajetória de vitórias e destruição por toda a Grécia.

God of War narra a façanha de um homem que pode derrotar um deus. Em meio a combates com criaturas mitológicas, belas mulheres, armas mágicas e poderes incríveis, acompanhamos alguém desesperado para encontrar a paz, não importando quantos ou quem tiver que matar para isso. A trajetória e os atos de Kratos foram tão marcantes que ele se tornou um dos grandes personagens de toda a história dos videogames.
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