Arquivo de maio, 2015

(Publicado originalmente no Contraversão em 21/11/2011)

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Nós ocidentais temos uma visão bastante limitada sobre o que é ser um homem santo, sábio, ou iluminado. Talvez por culpa de nossa formação predominantemente cristã, associamos que o caminho para a Verdade passa pela negação das “coisas da carne” e que temos que nos esforçar para ser uma pessoa “bondosa”, sem inimigos e que não magoe ninguém. Isso não só demonstra como é errado nosso conceito de Iluminação, mas também de como o Cristianismo se modificou através dos anos.

Poucos se lembram de que o primeiro milagre de Jesus foi transformar água em vinho. Muitos fingem que aquela passagem em que Jesus faz um chicote de corda, dá nos vendedores em frente ao templo e destrói suas barracas não existe. E a Santa Ceia regada a carne e vinho? Muitas linhas esotéricas consideram Jesus Cristo como o homem que mais próximo chegou de Deus. E ele bebia, comia carne e ficava puto.

Indo para o outro lado do mundo, também nos prendemos à clichês quando se trata de monges budistas e outras religiões/filosofias orientais. Achamos que todos meditam entoando mantras em meio a incensos queimando, estão sempre calmos e se alimentando de muito chá e arroz. Nada mais longe da verdade.

Claro que eu também pensava desse jeito. Por isso mesmo a leitura de Vagabundos Iluminados, de Jack Kerouack foi um choque para mim. Ali temos budistas bebendo, fumando e transando como se não houvesse amanhã. Temos pessoas meditando enquanto caminham e pessoas atingindo o satori ao jogar tudo para o alto.

O que tudo isso quer dizer? Que muitas vezes o que nos dizem ser o caminho rumo a um degrau mais elevado de existência não é o único caminho válido. Que muitas vezes nos privamos de certas coisas achando que estamos sendo “corretos” quando na verdade estamos é nos prejudicando mais e mais.

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(Publicado originalmente no Contraversão em 21/08/2013)

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“Se você acha ‘OK’ que o cara que te zoava por ler gibi na escola agora pagar de entendido por ver dois filmes do Wolverine… Daí vai do seu coraçãozinho. O meu não acha justo!”

Presenciei nas últimas semanas duas ondas de fúria nerd que considerei, para ser educado, desnecessárias. A primeira veio de um anúncio mal interpretado da autora de saga Crepúsculo, onde anunciou que gostaria de passear pela Terra Média. Multidões ergueram tochas e ancinhos, ao invés de ler o texto original e perceber que ela só manifestou uma vontade de escrever fantasia medieval. A inquisição das redes sociais é tão manipulável e implacável quanto a de Torquemada.

A outra veio de um bate-papo entre amigos sobre Círculo de Fogo, filme sobre robôs e monstros gigante de Guillermo Del Toro. Vi o filme e gostei bastante, mas parece que sou uma exceção à regra entre os entendidos do assunto. Li coisas como “O diretor chegou tarde em uma festa que já acabou”, “Já fizeram coisa melhor antes” e a que considerei melhor de todas “Pacific Rim é tão coisa pra civil que todo otaku de meia tigela sabe que cockpit de mecha não fica na cabeça, isso é uma heresia contra todo o cânone dos robôs japoneses”.

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(Publicado originalmente no Blog da Martins Fontes Paulista em 28/05/2012)

25 de Maio é um dia importante para os nerds. Além de ser a data de estreia do primeiro filme da saga espacial Star Wars, é também o Dia da Toalha, onde fãs do escritor Douglas Adams o homenageiam. E temos ainda o Glorioso 25 de Maio de série de livros Discworld de Terry Pratchett.

Em homenagem à data, selecionamos 10 autores considerados importantes dentro do universo nerd. Aproveite para completar sua estante!

10. Julio Verne

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Autor dos clássicos Vinte mil léguas submarinas, Viagem ao mundo em 80 dias eViagem ao centro da Terra, entre outros, é considerado um dos pais da ficção científica. Suas obras são conhecidas pela riqueza de detalhes, seu realismo e por anteciparem grandes descobertas da ciência.

 

9. Isaac Asimov

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Grande parte de suas obras tem como tema os robôs positrônicos (autômatos com cérebros artificiais) e as Três Leis da Robótica, seguidas por muitos outros autores. Também escreveu as séries Império Galáctico, Lucky Starr e a Trilogia Fundação. Seu objetivo era escrever 500 livros em vida e chegou bem perto, publicando 463.

 

8. Frank Hebert

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Sua obra cobre os acontecimentos no desértico planeta Arrakis, também conhecido como Duna. Uma sociedade feudal e ao mesmo tempo futurista sobrevive neste ambiente inóspito, com casas nobres lutando pelo poder e com sua economia baseada no comércio de melange, uma rara e cobiçada especiaria. Além de tramas recheadas de política, religião, ecologia e tecnologia, os livros da série Duna são famosos pela densidade psicológica de seus personagens.

 

7. Douglas Adams

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Sua trilogia de quatro partes composta por cinco livros O Guia do Mochileiro da Galáxias é uma mistura de ficção-científica, humor non-sense e crítica social. Na trama, a Terra é destruída pela raça alienígena Vogon, extramemente chatos e burocráticos, para a construção de uma via hiperespacial. O terráqueo Arthur Dent consegue escapar com ajuda de seu melhor amigo, Ford Perfect, um extraterrestre disfarçado entre os humanos. Então os dois partem em busca da Pergunta Fundamental da Vida, do Universo e Tudo Mais.

 

6. Terry Pratchett

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E se mundo fosse um disco sustentado por quatro elefantes em cima do casco de uma tartaruga que nada pelo espaço? Esse é o cenário de Discworld, série de fantasia com 39 livros que usa da fantasia medieval e bom humor para mostrar os problemas e paradoxos do mundo real.

5. William Gibson

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Hackers, redes de computadores, megacorporações empresariais, implantes artificiais. Todos estes elementos são parte do gênero conhecido como Cyberpunk e Gibson foi o autor que estabeleceu as bases do gênero: um futuro de alta tecnologia próximo e decadente, dominado por grandes empresas que oferecem o melhor a quem pode pagar e exclui violentamente os indesejados, sejam eles pobres ou opositores.

 

4. H. G. Wells

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Autor de A Guerra dos Mundos, A Máquina do Tempo, O Homem Invisível e A Ilha do Dr. Moreau, entre outras, teve suas obras adaptadas para filmes, séries e histórias em quadrinhos. Suas histórias discutem os limites éticos da sociedade ou seres humanos frente à grandes descobertas ou catástrofes.

 

3. Stephen King

Capa A escolha dos tres - SUMA.ai

Mais conhecido pelos seus livros de horror fantástico e pelas adaptações cinematográficas, também possui excelentes textos fora desta temática. Sua obra máxima é a série de livros A Torre Negra, saga dividida em sete partes e que tem elementos de horror, fantasia, faroeste e ficção científica. A trama gira a princípio em torno do personagem O Pistoleiro e sua busca pela Torre Negra, mas cresce para muito além disso.

 

2. George R. R. Martin

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É o mais recente da lista, mas chegou para ficar. Autor da série As crônicas de gelo e fogo, que ficaram mais conhecidas pelo nome do primeiro livro: A guerra dos tronos. Narrando o jogo de intrigas e violência de diversas casas nobres disputando o poder do reino de Westeros, é uma história adulta contada sob diversos pontos de vista, onde não há heróis ou vilões. Dos sete livros previstos pelo autor, 5 já foram publicados. Ele também é editor e um dos autores de Wild Cards, série de livros de super-heróis.

 

1. J. R. R. Tolkien

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Tido como o pai da literatura fantástica devido ao alcance das suas obras, é o autor da famosa trilogia O Senhor dos Anéis. Conhecido pelo detalhismo extremo ao descrever paisagens e aspectos culturais dos cenários de suas obras, é responsável por diversas características hoje consideradas padrão na fantasia medieval e sua influência é sentida em outros livros, filmes, histórias em quadrinhos, RPGs e videogames.

(Publicado originalmente no Contraversão em 25/05/2012)

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Sabe, minha vida não era muito fácil lá pro meio dos anos 1990. Eu era magrelo, de óculos, corcunda, leitor voraz e segundo os amigos: “engraçado e inteligente”. As meninas me definiam como “um cara legal”. Quem lia gibi falava “xismém” e não “équismem”. Na minha quinta-série, na sala de aula o ÚNICO que lia gibi era eu. Lá pelo meio do ano que consegui converter dois amigos meus. E foram estes que me acompanharam até a oitava série. Só quando entraram alunos novos no Ensino Médio foi que conheci mais gente pra conversar sobre o assunto. Meu primeiro grupo de RPG durou quase 2 anos com os membros originais porque a gente não conhecia mais ninguém que jogava.

Em tempos em que a palavra bullying não existia, minha pessoa era alvo fácil das aloprações dos valentões da escola, para usar os termos da época. Desde os tradicionais apelidos vergonhosos (torto, quatro-olho…) até tapas na cabeça e tropeções. O auge disso foi na sétima série, quando, na hora do intervalo, me empurraram escada abaixo com as calças abaixadas. Não sei até hoje como não me machuquei.

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(Publicado originalmente no Universo Fnac em 25/05/2013)

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Segundo ele, a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você -estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa”.

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O trecho acima é do terceiro capítulo do primeiro volume do Guia do Mochileiro das Galáxias. Esta série de livros escrita pelo britânico Douglas Adams narra as aventuras de Arthur Dent e seu amigo alienígena Ford Prefect. Quando a Terra é destruída para virar um trecho de uma rodovia intergalática, eles escapam por pouco pegando carona em uma nave interestelar e vivem uma série de eventos insólitos em companhia de personagens únicos: o deprimido robô(!)Marvin (o Androide Paranóide) e Zaphod Beeblebrox, o semi-primo de Ford e o Presidente Galáctico, entre outros.

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(Publicado originalmente no Blog da WMF Martins Fontes em 20/06/2012  e repostado aqui com atualizações)

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Pintor, desenhista, ilustrador e escritor, Paulo Pasta nasceu no interior de São Paulo, na cidade de Ariranha. Formou-se em Artes Plásticas pela ECA/USP em 1983 e partir daí fez cursos nas mais diversas áreas: desenho e gravura em metal, litografia, serigrafia e pintura. Ministrou cursos na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Faculdade Santa Marcelina, Fundação Armando Álvares Penteado e Universidade Presbiteriana Mackenzie. Também ministrou cursos livres em importantes instituições culturais, como o Museu Brasileiro de Escultura e o Instituto Tomie Ohtake.

Realizou sua primeira exposição individual em 1984, na Galeria D. L. H., e já recebeu o Prêmio Brasília de Artes Plásticas no Museu da Arte em Brasília e o Prêmio Price Watterhouse – Conjunto de Obras. Formou-se mestre e doutor em Artes Plásticas pela ECA/USP, aonde ministra aulas e tem suas obras incluídas em importantes acervos e museus nacionais.

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Seu último livro, A educação pela pintura, reúne seus textos sobre arte dos últimos cinco anos. São pequenos ensaios sobre pintura e pintores, feitos em sua maioria para exposições ou seminários. Complementando a obra, são apresentadas quatro entrevistas que o pintor concedeu, permitindo ao leitor observar as mudanças tanto do processo de criação de Pasta quanto de seu modo de compreensão da arte.

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(Publicado originalmente no Universo Fnac em 11/05/2013)

Na véspera do Dias das Mães, separamos 10 exemplos de mães da cultura pop pra você se divertir e se emocionar. Confira!

10. May Parker (Homem-Aranha)

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Se mãe é aquela que cria, esta simpática senhora é uma mãe de primeira! Lidar com um adolescente já é difícil, imagina então um adolescente com superpoderes que combate o crime? Ela já foi ameaçada pelos mais diversos vilões, morreu e voltou algumas vezes, quase casou com o Doutor Octopus e, mesmo assim, quando descobriu que seu sobrinho era o Homem-Aranha, passou a ser uma defensora ferrenha do herói!

 

9. Rainha Alien (Aliens, o Resgate)

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Esta criatura é a responsável por uma das maiores e mais perigosas pragas espaciais do cinema. Como se não bastasse ser enorme, ter quatro braços, a capacidade de botar diversos ovos por dia e ser inteligente, ainda pode comandar mentalmente TODOS os seus filhos.

 

8. Sarah Connor (O Exterminador do Futuro)

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Ser mãe solteira costuma ser complicado. Porém, tudo fica ainda pior quando você tem que fugir do hospício para proteger seu filho de robôs assassinos vindos do futuro. Ela não garantiu apenas o futuro de seu pimpolho, mas de toda a humanidade!

 

7. Kala (Tarzan)

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Adotar uma criança é um ato nobre. Adotar um filhote de outra espécie é mais nobre ainda. Se uma mãe cria seu filho para ganhar o mundo, Kala fez um excelente trabalho com Tarzan, que tornou-se o Rei das Selvas!

 

6. Dona Florinda (Chaves)

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Dona de casa dedicada, está sempre protegendo seu filho da “gentalha” da vila. Nós entendemos que uma mãe quer sempre o melhor para seu filho, mas o Quico é a prova de que mimar demais seu “tesouro” nem sempre é bom.

 

5. Molly Weasley (Harry Potter)

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A matriarca da família Weasley cuida de sete filhos e um marido que não é exatamente um primor de responsabilidade. E ainda acolheu Harry Potter como um filho em sua casa. Aparentando ser uma pacata “mulher do lar”, mostra-se uma bruxa poderosa e furiosa quando a segurança da sua família e amigos está em jogo.

 

4. Susan Richards (Quarteto Fantástico)

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Umas das primeiras mulheres a ser mãe e super-heroína ao mesmo tempo.  Não cuida só de seus filhos, mas é um porto seguro para todos os outros membros do grupo. Às vezes ela acha mais fácil salvar o mundo do que cuidar de toda essa bagunça.

 

3. Rochelle Rock (Todo Mundo Odeia o Chris)

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Estressada, espalhafatosa, severa e autêntica, é uma mãe sob medida para a peculiar família Rock. Não gosta de ficar em casa, mas não consegue permanecer em emprego nenhum e é comum ouvir dela a frase “Eu não preciso disso, o meu marido tem dois empregos”!

 

2. Peter, Michael e Jack (Três Solteirões e um Bebê)

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Três pais conseguem criar uma menina melhor que uma mãe? Se depender dos três rapazes acima, a resposta é sim! Tudo bem que eles não cumprem suas obrigações da maneira mais comum, mas o importante é que a menina ficou bem!

 

1. Marge Simpson (Os Simpsons)

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Poucas pessoas tem a paciência e perseverança que ela possui. Seja cuidando de Maggie, ajudando Lisa em suas tarefas ou defendendo Bart da fúria de Homer, Marge é a maior prova de como o amor de uma mãe pode manter a família unida.

Parabéns para estas e todas a mães do mundo pelo seu dia!

(Publicado originalmente no Contraversão em 09/10/2014)

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Como estou reorganizando minha coleção de cartas de Magic: The Gathering, resolvi dar um pulo no shopping para comprar alguns plásticos para fichário e manter minhas cartinhas queridas organizadas. O shopping é relativamente perto de casa, então decidi que voltaria a pé, refazendo caminhos antigos que fazia em épocas mais… lúdicas, por assim dizer, da minha vida.

Mas, eis que ao adentrar na loja, descobri que os malditos plásticos haviam acabado, e percebi que havia sido manipulado pelos deuses para empreender a jornada. Sorri para eles por terem me enganado direitinho, mas aceitei o desafio de bom grado e me preparei pare revisitar velhas paragens.

A praça que existe ali perto era um antigo Local de Poder da minha velha trupe de truques magias e enganações. Ali era lugar de ficar bêbado, enamorar, brigar (de maneira figurada e literal), assustar passantes, dançar, vender artesanato com os hippies, discutir verdades absolutas (sabendo que eram transitórias), praticar rituais diversos etc. Ali éramos deuses.

Nós realmente tomamos posse daquele lugar. Havia um coreto ali e, quando chegávamos, todos que estavam nele se retiravam. Estranhos só adentravam com a nossa permissão. Varamos noites ali, ao lado de um posto da Polícia Militar, sem jamais sermos importunados por eles. Vimos prédios erguerem-se e sumirem. Vimos amores nascerem e morrerem. Vimos bicicletas com neon nas rodas e caixas de som mais potentes que muitos carros.

Mas crescemos, a vida começou a nos trazer responsabilidades, assumimos compromissos e, aos poucos, deixamos de frequentar aquele círculo que presenciou tantas histórias. Quando houve uma reforma na praça e o coreto foi totalmente retirado, percebemos que uma era havia chegado ao fim.

E cá estou eu, praticamente dez anos depois, indo rumo a este lugar em busca de não sei o que. Não é que não haja mais Mágika em minha vida. Finalmente estou direcionando energias para objetivos mais concretos, construindo coisas, mas tenho refeito alguns caminhos para fazer os elos entre o que foi e o que é, talvez para ter pistas de o que será.

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