A busca pela Sacra Birra e a Iluminação pelo excesso

Publicado: 29 de maio de 2015 em Ocultismo
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(Publicado originalmente no Contraversão em 21/11/2011)

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Nós ocidentais temos uma visão bastante limitada sobre o que é ser um homem santo, sábio, ou iluminado. Talvez por culpa de nossa formação predominantemente cristã, associamos que o caminho para a Verdade passa pela negação das “coisas da carne” e que temos que nos esforçar para ser uma pessoa “bondosa”, sem inimigos e que não magoe ninguém. Isso não só demonstra como é errado nosso conceito de Iluminação, mas também de como o Cristianismo se modificou através dos anos.

Poucos se lembram de que o primeiro milagre de Jesus foi transformar água em vinho. Muitos fingem que aquela passagem em que Jesus faz um chicote de corda, dá nos vendedores em frente ao templo e destrói suas barracas não existe. E a Santa Ceia regada a carne e vinho? Muitas linhas esotéricas consideram Jesus Cristo como o homem que mais próximo chegou de Deus. E ele bebia, comia carne e ficava puto.

Indo para o outro lado do mundo, também nos prendemos à clichês quando se trata de monges budistas e outras religiões/filosofias orientais. Achamos que todos meditam entoando mantras em meio a incensos queimando, estão sempre calmos e se alimentando de muito chá e arroz. Nada mais longe da verdade.

Claro que eu também pensava desse jeito. Por isso mesmo a leitura de Vagabundos Iluminados, de Jack Kerouack foi um choque para mim. Ali temos budistas bebendo, fumando e transando como se não houvesse amanhã. Temos pessoas meditando enquanto caminham e pessoas atingindo o satori ao jogar tudo para o alto.

O que tudo isso quer dizer? Que muitas vezes o que nos dizem ser o caminho rumo a um degrau mais elevado de existência não é o único caminho válido. Que muitas vezes nos privamos de certas coisas achando que estamos sendo “corretos” quando na verdade estamos é nos prejudicando mais e mais.

E foi dentro deste contexto que o Guia do Guru da Cerveja – Iluminação Para quem tem Sede de Conhecimento veio parar em minhas mãos. Meu irmão comprou em uma banca de jornal e me entregou assim que chegou em casa, sem sequer ter lido o livro, dizendo que viu e comprou para mim. Como costumo ser uma pessoa atenta às sincronicidades que a realidade joga na cara, parei todas as minhas leituras para debulhar esse guia.

Escrito pelo publicitário e escritor Chris Street e publicado no Brasil pela Matrix, o livro parece uma simples sátira destes livros de auto-ajuda onde, “gurus” dissecam técnicas milenares em algo simples e fácil para nós ocidentais fazermos e acharmos que somos menos preguiçosos que nossos vizinhos. Mas não. No meio de diversas piadas e trocadilhos de gosto duvidoso, existe um verdadeiro e prático caminho para a Iluminação.

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Somos primeiramente apresentados ao Guru da Cerveja, um homem que iniciou sua jornada como discípulo do homem-santo Sai Caca, o Swomos Bebbum-Dibhar. Após aprender tudo o que poderia com seu mestre, saiu caminhando e foi para na Baviera, onde se tornou discípulo do monge Otto Von Porre, um Braumeister (mestre-cervejeiro). Da mistura de técnicas orientais e ocidentais de meditação e fermentação de cerveja, o Guru fez a sua morada no Himalaia e lá espera calmamente a todos que desejam segui-lo no caminho da busca pela cerveja perfeita, aquela feita somente com ingredientes naturais e que, se ingerida, traz a sabedoria e leva ao caminho da Sacra Birra.

O livro nos mostra como que, ao longo da História, diversos homens santos e ordens místicas ou monásticas fizeram da fabricação e degustação da cerveja uma tarefa sagrada, destacando alguns mosteiros europeus, como a Abadia de Buckfast, na Inglaterra, que fabrica uma das cervejas mais fortes de todo o mundo. Assim fica claro que o ato de beber não está tão longe assim da espiritualidade.

Estando isto mais do que claro, podemos passar à parte prática, que consiste em tomar cerveja, observar os efeitos sobre você e meditar sobre isso. O livro até ensina a montar seu altar sagrado para a degustação da sua Dourada, mas na maioria das vezes você vai beber mesmo é nos templos dos beberrões: o bar. E vemos como que alguns efeitos ditos como “maléficos” pela ingestão de álcool na verdade tem a ver com a expansão da mente e abertura do Terceiro Olho e de como usar tudo isso a seu favor. Tudo detalhado passo a passo de maneira que até bêbado você pode entender e praticar.

Entre mantras, degustações, meditações e porres, aprendemos a beber de um modo que realmente torna o ato sagrado para nós, onde nos conectamos com entidades e podemos usufruir de diversos benefícios da Iluminação, aqueles todos que vocês já conhecem: calma, sabedoria, paciência… Só que ao invés de estar trancado em um quarto ou ouvindo besteira de um pastor, vai estar em uma mesa de bar junto com seus amigos se divertindo!

Parece fácil, mas é extremamente desafiador. Assim como a linha que separa o Sábio do Louco é tênue, muitos o acharão mais um bêbado e não um discípulo do Guru da Cerveja e é muito mais fácil se perder nos caminhos da Verdade estando alegre do que sóbrio. Mas os poucos trilharam o caminho e hoje estão ao lado da Deusa da Cerveja e ostentam em suas faces o Sorriso do Guru da Cerveja.

Cansado de sermões, de meditar em posição de Lótus e outros clichês do gênero? Então pegue sua caneca e inicie sua Busca Pela Sacra Birra! E cuidado ao xingar aquele bêbado ao seu lado, ele pode ser um homem-santo!

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