Arquivo de outubro, 2015

(Publicado originalmente no Contraversão em 18/08/11)

conan1

Na primeira década do século XX, o que ocupava a cabeça e esvaziava os bolsos de jovens e muitos adultos eram magazines mensais com contos de ficção científica e fantasia heróica. Trazendo quase sempre em suas capas personagens exóticos ou garotas voluptuosas correndo perigo, estas “revistas” eram feitas da parte mais barata do papel, conhecido como “polpa” e deram origem ao termo “Pulp Fiction”.

A revistas pulp não tinham pretensão literária e se destinavam à entretenimento despretensioso, rápido e barato. Mesmo assim, grandes escritores iniciaram suas carreiras nelas. Gente do calibre de Isaac Asimov, Dashiell Hammette Raymond Chandler. E as histórias em quadrinhos começaram sua trajetória como uma “evolução” dos pulps, já que Gil Kane (Lanterna Verde, Esquadrão Atari), Mort Weisinger (co-criador do Arqueiro Verde e do Aquaman) e Julius Schwartz (lendário editor da DC Comics) escreveram nestes revistas também.

conan2

E, dentre as centenas de publicações que existiam na época, uma ostentava o slogan “Uma Revista Sem Similar”. Seu nome era Weird Tales. Foi criada em 1923 por J. C. Henneberger, um ex-jornalista que possuía um peculiar gosto por histórias macabras fossem reais ou fictícias.  O segundo editor da revista foi Fransworth Wight, que tentando equilibrar a Weird Tales entre as exigências do mercado e seu gosto por literatura fantástica, deu a publicação uma identidade única.

(mais…)

Anúncios

(Publicado originalmente no Contraversão em 04/10/2011)


marshal1

Com poderes muito acima dos meros seres humanos, muitas vezes os super-heróis perdem a noção e ultrapassam os limites que consideramos aceitáveis. Nesses casos a polícia não tem poder e nem equipamento para fazer frente a eles. Mas, para isso, podemos contar com o “caçador de super-heróis” (ou “matador de capas”, como é conhecido) Marshal Law!

Criado em em 1987 por Pat Mills e Kevin O’Neill e publicado pela editora inglesa Epic Comics, Marshal Law é na verdade Joe Gilmore, um soldado estadunidense que teve seu corpo geneticamente modificado ao participar de uma operação do exército na América do Sul conhecida com “A Zona”.  A experiência tinha como objetivo criar soldados que não sentissem dor, mas teve como efeito colateral a perda total da empatia humana dos envolvidos. Sem sentir medo ou até mesmo pena, estes soldados cometeram as maiores atrocidades possíveis.

Isso provocou em Gilmore um profundo desprezo por qualquer um que possuísse superpoderes. O governo dos EUA percebeu essa tendência e tornou o soldado um vigilante licenciado para deter qualquer ser super poderoso que saísse da linha. Mascarado, pesadamente armado e desnecessariamente violento, Gilmore se tornou Marshal Law e provoca nos outros a dor que ele mesmo não pode mais sentir. Além de imunidade à dor, Marshal Law tem super força e resistência acima do normal.

(mais…)

(Texto originalmente publicado no NerDevils em 30/09/2010)

“Tudo posso naquele que me fortalece”.
– Bíblia Sagrada, Carta de São Paulo aos Filipenses.

god gamer

Eu devia ter uns 16 anos. Naquela época era comum eu e mais uns amigos nerds nos reunirmos para ir aos sebos do centro garimpar livros de RPG e ocultismo, comprar algum CD de metal importado na Galeria do Rock e depois passar na Liberdade para olhar aquelas mil coisas legais japonesas e não comprar nada. Era um tempo em que a Fonomag e a Animangá era points e você ter um mangá original em japonês fazia de você um cara fodão, mesmo que não soubesse ler um mísero caractere de qualquer alfabeto japonês.

(Pausa para os chatos de plantão: sim, eu sei que a Animangá não fica na Liberdade.)

Em uma dessas ocasiões já havíamos feito nosso garimpo e estávamos atravessando a Praça da Sé em direção ao Bairro Proibido, quando fomos abordados por um evangélico. Normalmente eles se limitam a entregar algum panfleto, nos abençoar e sair andando. Mas este em particular viu um bando de adolescentes cabeludos e deve ter achado que era sua missão divina nos salvar dos braços de Satã, pois começou a falar aquela ladainha que todo mundo já deve ter ouvido uma vez na vida. Após alguns minutos resolvi ser educado com ele:

– Entendo seu ponto de vista e tudo, mas já tenho religião. Frequento a Igreja Católica, participo de alguns grupos de lá…

Eis que nosso pretenso salvador me interrompeu com a seguinte argumentação:

– Pois saiba que meu Deus é melhor que o seu!

Não sei se foi a raiva de ter ouvido uma merda dessas, se foi a pressa de ir embora ou se foi algum tipo de Epifania instantânea, mas virei para ele de maneira um tanto quanto efusiva e disse:

– Seu Deus? SEU DEUS? Vem cá, seu Deus sabe dar combo aéreo?

O pregador pareceu ter entrado em pânico. Era óbvio que ele não sabia o que era um combo aéreo e não poderia dizer que “sim” com o risco de dizer que o Senhor fazia algo impróprio. Ele pareceu diminuir e respondeu de maneira vacilante:

– Não…

Não contente em ver um evangélico dizendo que seu Deus onipotente, onisciente e onipresente não poderia fazer algo, eu ainda soltei:

– Então seu deus é um lixo!

E rindo efusivamente, continuamos nosso caminho discutindo como seria Jesus Cristo em um fight game dando 12 hit combo, um para cada apóstolo.

combo jesus