Quem vigia os vigilantes? Marshal Law!

Publicado: 8 de outubro de 2015 em Quadrinhos
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(Publicado originalmente no Contraversão em 04/10/2011)


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Com poderes muito acima dos meros seres humanos, muitas vezes os super-heróis perdem a noção e ultrapassam os limites que consideramos aceitáveis. Nesses casos a polícia não tem poder e nem equipamento para fazer frente a eles. Mas, para isso, podemos contar com o “caçador de super-heróis” (ou “matador de capas”, como é conhecido) Marshal Law!

Criado em em 1987 por Pat Mills e Kevin O’Neill e publicado pela editora inglesa Epic Comics, Marshal Law é na verdade Joe Gilmore, um soldado estadunidense que teve seu corpo geneticamente modificado ao participar de uma operação do exército na América do Sul conhecida com “A Zona”.  A experiência tinha como objetivo criar soldados que não sentissem dor, mas teve como efeito colateral a perda total da empatia humana dos envolvidos. Sem sentir medo ou até mesmo pena, estes soldados cometeram as maiores atrocidades possíveis.

Isso provocou em Gilmore um profundo desprezo por qualquer um que possuísse superpoderes. O governo dos EUA percebeu essa tendência e tornou o soldado um vigilante licenciado para deter qualquer ser super poderoso que saísse da linha. Mascarado, pesadamente armado e desnecessariamente violento, Gilmore se tornou Marshal Law e provoca nos outros a dor que ele mesmo não pode mais sentir. Além de imunidade à dor, Marshal Law tem super força e resistência acima do normal.


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A série se passa alguns anos no futuro, mas não há um ano específico. Marshal Law age na cidade de San Futuro, nome pelo qual a cidade de São Francisco passou a ser conhecida após ser destruída por um terrível terremoto. Esse tremor foi tão grande que foi batizado de “The Big One” e a cidade ainda não se recuperou totalmente do estrago. Temos então um cenário perfeito para caos social, brigas de gangues e vigilantes sedentos para “arrumar as coisas”.

O primeiro arco de histórias da série gira em torno de um assassino serial que estupra e mata mulheres vestidas como Celeste, super heroína e namorada do Espírito Público, o maior herói do mundo. Marshal Law é destacado para investigar o caso e suspeita que o herói tem parte de culpa nisso. E a trama recheada com sexo, violência, drogas e mentiras para manter as aparências mostra que o “matador de capas” não estava tão errado assim.

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Essas histórias iniciais já dão o tom que marcaria a HQ: uma ácida crítica aos super-heróis e seu papel na sociedade e mídia. Por ter se tornado um ser superpoderoso e sem escrúpulos, Marshal Law se odeia e por extensão odeia todos os supers, enxergando em todos eles a farsa que vê em si mesmo. Mais adiante a série fica um pouco mais bem humorada, mas a violência e crítica permanecem.

Um ótimo exemplo disso é a edição one-shot “Marshal Law Takes Manhattan”, onde ocorre uma rebelião em um hospício para super-heróis em fim de carreira e Law vai impedir que o pior aconteça. Todos os internos do hospício são imitações nada sutis de personagens da Marvel, com Thor, Homem-Formiga, Sr. Fantástico e outros liderados por uma versão ainda pior do Justiceiro. O final é insuperável em termos de surpresa e humor negro.

No Brasil, saíram pela editora Abril a primeira minissérie do heróis em 6 edições e a one-shot mencionada acima. Não é difícil encontrar essas edições em comic shops. No Estados Unidos o personagem é publicado hoje pela Dark Horse, tendo inclusive feito crossovers com Pinhead, Lobo, Máskara e Savage Dragon!

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comentários
  1. Rauldouken\o disse:

    Essa idéia de um grupo do governo que tenta manter os supers na linha me lembrou The Boys do Garth Ennis, conhece?

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