Daqui até a Eternidade

Publicado: 5 de abril de 2016 em Música
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(Publicado originalmente no Blog da Fnac em 02/04/2013)

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Agenor de Miranda Araújo Neto não respondia a chamada em seus primeiros dias de aula. Desde antes de seu nascimento, só se referiam à criança pelo seu apelido: Cazuza. E foi assim que este compositor, cantor, poeta e escritor ficou famoso.

Filho de um produtor musical, Cazuza cresceu entre grandes nomes da música brasileira, como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa, Gilberto Gil, João Gilberto, entre outros. Com isso, desenvolveu logo cedo um gosto por músicas melancólicas de artistas como Cartola e Noel Rosa. Aos sete anos já escrevia seus primeiros poemas e letras de músicas.

De férias em Londres aos 14 anos, tomou gosto pelo rock ao conhecer as músicas de Janis Joplin, Led Zeppelin e Rolling Stones. Após ingressar em uma faculdade de comunicação, passa a frequentar a zona boêmia do Rio de Janeiro. Em uma viagem aos EUA, encantou-se com a literatura beat e seu mundo de sexo, música, drogas e viagens. Estava formado o caldeirão de influências artísticas e culturais que Cazuza levaria para a vida.

Uma banda de rock procurava um vocalista e convidou Léo Jaime para assumir o posto, mas ele não podia e indicouCazuza; nascia o Barão Vermelho. Formada por Roberto Frejat (guitarra), Dé Palmeira (baixo), Maurício Barros (teclado) e Guto Goffi (bateria), a banda começou a fazer sucesso apenas com seu segundo álbum. Mas as vendas implodiram após Ney Matogrosso gravar sua versão de Pro Dia Nascer Feliz e Caetano Veloso apontar Cazuza como “o maior poeta de sua geração”.

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Já em seu terceiro álbum, no ano de 1985, o Barão Vermelho fez uma apresentação antológica no festival Rock in Rio. O show foi no mesmo dia do fim da Ditadura Militar e da eleição do presidente Tancredo Neves. A banda comemorou estes acontecimentos em pleno palco, anunciando para todos e tocando Pro Dia Nascer Feliz em seguida.

Durante os ensaios para o quarto álbum, Cazuza sentiu necessidade de ter mais liberdade para compor e se expressar, o que acarretou em sua saída do Barão Vermelho. Alternou entre temas pessoais, românticos e políticos, misturando duas paixões musicais: rock e MPB. Músicas como Exagerado, Nosso Amor a Gente Inventa, Ideologia e O Tempo Não Para foram sucesso de público e crítica.

Em 1987, Cazuza foi internado com pneumonia, mas descobriu que estava com AIDS e foi tratado no Rio de Janeiro e nos EUA. Dois anos depois, o artista assumiu publicamente a doença, em uma decisão foi polêmica na época. A intenção do artista era criar consciência em relação à enfermidade e aos efeitos dela, mas gerou algumas críticas devido à superexposição na mídia. Na entrega do Prêmio Sharp, compareceu em uma cadeira de rodas para receber os prêmios de melhor canção por Brasil e melhor álbum por Ideologia.

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Ainda em 1989, Cazuza gravou seu último álbum, Burguesia, em uma cadeira de rodas e com a voz enfraquecida. Em outubro do mesmo ano, seu quadro clínico agravou-se e viajou para os EUA para tratar-se novamente, voltando ao Brasil apenas em março de 1990. No dia 7 de julho de 1990, o artista sofreu um choque séptico em decorrência da AIDS e não resistiu. Seu caixão foi carregado pelos colegas do Barão Vermelho e mais de mil pessoas compareceram ao enterro, entre parentes, amigos e fãs.

Assim como sua vida, a carreira de Cazuza foi curta e intensa. Gravou 126 canções, sendo 78 delas inéditas e 34 para serem interpretadas por outros artistas. Seus parceiros mais importantes foram Simone, Leoni, Léo Jaime, Lobão, Cássia Eller, Arnaldo Antunes, Rita Lee e Renato Russo.

Os pais do artista fundaram a Sociedade Viva Cazuza em 1993. A entidade presta assistência social à crianças e adultos soropositivos.

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