Arquivo da categoria ‘Filmes e Séries’

(Publicado originalmente no Mob Ground em 17/07/2013)

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“Já são quase três horas andando em uma estrada entre Botucatu e lugar nenhum. Mato seco em ambos os lados é tudo o que existe e o posto mais próximo está há pelo menos mais seis horas de caminhada. Sua água já acabou e seus lanches também. Uma torneira na entrada de um futuro empreendimento imobiliário proporciona mais um pouco de água. Dormir em algum canto à beira da estrada passa de possibilidade desesperada à opção bem plausível. Filhos da puta passam por você buzinando e rindo, mas ninguém para e oferece carona. Quando foi que passamos a ficar tão desconfiados uns dos outros? Então um treminhão para no acostamento por causa de um pneu furado e surge uma esperança de conseguir chegar em casa antes do anoitecer…”

É extremamente difícil para mim analisar o mais novo filme de Walter Salles somente pela película em si. Ainda mais na situação em que me encontro agora. Acabei de chegar e casa após ver o filme. Estou bêbado e continuo bebendo durante a produção deste texto. Saí do cinema e fui beber em plena Rua Augusta em companhia de um contador que atua como clown em hospitais, de um diretor/produtor de cinema gay e de uma atriz de teatro recém-formada e deslumbrada, sem saber do monte de merda que a aguarda. Jack Kerouac é um dos meus escritores favoritos e On the Road só não fodeu minha cabeça porque quando li o livro já tinha feito mais da metade das merdas que rolam ali. Tudo bem que Vagabundos iluminados fez um puta estrago depois, mas não é esse o foco agora, certo? A questão é que o filme Na estrada, baseado na obra de Kerouac, traz uma gama infinita de lembranças alteradas pelo excesso de bebida, drogas e sexo e… bem, isso me fez gostar do livro e do filme.

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Continuando minha série de opiniões rápidas e rasteira sobre as coisas que tenho visto. E desta vez o tema é “séries”!

 

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Star Wars – Guerras Clônicas.


Esqueça aquela animação tosca em computação gráfica. Com episódios curtos e ação constante, aqui a guerra é pra valer.

Temos batalhas épicas, novos vilões, referências a “Akira”(!) e minha máquina de guerra favorita: a nave-pistão!

 

 

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Anos Incríveis – 1° Temporada.
Incrível como uma série mostrando a adolescência em um subúrbio nos EUA nos anos 60 tem tanto a ver com a minha adolescência. Cada episódio evocou mil lembranças e até aquelas tristes ficam engraçadas agora.

E o melhor personagem é Wayne, irmão do Kevin, HAHAHAHAHA!!

(E como é foda achar um imagem boa desta série!)

 

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Anos Incríveis – 2° Temporada.


Continuando a saga de Kevin Arnold, temos aqui dois episódios que me ensinaram lições para o resto da vida: “Na escuridão” e “Pernas de Pau”.

 

 

 

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Orange is The New Black – Primeira Temporada

Comecei a ver no hiato da meia temporada de Agents of SHIELD e fui positivamenre surpreendido. Gosto de obras onde parece que cada personagem é importante e qualquer coisa que qualquer um fizer pode mudar tudo.

Uma baita história com ótimos personagens e boas surpresas. É começar a ver e não parar mais.

 

 

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Agent Carter – Primeira Temporada


Outra boa surpresa da Marvel nas telas. Admito que fui ver a série mais pra ficar por dentro de tudo o que rola no Universo Cinematográfico da Marvel, mas a coisa toda foi tão bem feita que é impossível não ficar fã de Peggy Carter ao final.

Além da uma boa reconstituição da época e uma trama que vai crescendo até te deixar tenso pelo que vai rolar (mesmo você já sabendo que tudo vai dar certo), temos participações de Howard Stark e outros nomes que não mencionar para não soltar spoilers.

A série só pecou por não mostrar a fundação da SHIELD, mas tudo indica que isso será remediado em uma nova temporada.

 

Impressões rápidas, rasas e grosseiras sobre obras cinematográficas. Leia por sua conta e risco.

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Valente

História linda, animação linda e um puta libelo feminista.

Se não fossem os trigêmeos, todos os homens da trama seriam inúteis.

 

 

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A Viagem

Gostei bastante desta trama não linear onde tudo influencia tudo.

Pra ver mais de uma vez e ficar descobrindo um monte de coisas novas.

 

 

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O Poderoso Chefão

Segunda vez que vejo. E emociona como se não tivesse visto.

 

 

 

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Kick Ass

Quinta vez que vejo este filme. Não li a HQ ainda e já me disseram que a trama aqui é bem mais água com açúcar, mas considero um baita filme divertido.

E a Hit Girl detona!

 

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Melancolia

É um filme catástrofe intimista. Nunca tinha visto nada do Lars Von Trier e não sei ainda se gostei do filme ou não.

(Publicado originalmente no Contraversão em 06/01/2014)

KUNG FURY

Kung Fury é um policial linha dura que é demitido da corporação por uso excessivo da força. Seu melhor amigo foi assassinado pelo vilão nazista e excelente lutador Adolf Hitler, conhecido como Kung Fuher e ele quer vingança. Então o ex-polcial e um colega hacker bolam um plano ousado: viajar no tempo e acabar com o nazismo na Alemanha, na época da II Guerra Mundial, de uma vez por todas. Mas algo dá errado ele Kung Fury vai parar na época dos vikings.

Agora, com a ajuda de uma bela loura nórdica, montados em um tiranossauro rex e ao lado de uma versão gigante de Thor, eles enfrentarão robôs, mutantes e o próprio Kung Fuher em uma aventura que só pode ser definida como épica!

Este é o enredo básico (!) de Kung Fury, filme de ação baseado na estética dos anos 1980 produzido pela Laser Unicorns e que foi estupidamente bem sucedido no site de financiamento coletivo no Kickstarter.

Confira abaixo o trailer do filme.

E a música tema cantada por ninguém menos que David Hasselhof!!

(Publicado originalmente no Contraversão em 03/06/2013)

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Quem ouviu já o Contraudição sobre a minha não-tão-humilde pessoa já deve saber que sou fã de Legião Urbana. Não daqueles fãs que sabem todas as letras de todos os álbuns e tem todos os álbuns que saíram (inclusive os “the best of” e tal), mas do tipo que tem a banda como uma das favoritas para todo e eterno sempre.

Longe de mim intitular-me um “legionário”, mas as músicas deles estiveram presentes em momentos chaves da minha vida. Quando ainda era um adolescente romântico e idealista sonhava com um amor a lá “Eduardo e Mônica”. Descobri o Aborto Elétrico e suas músicas de revolta ao mesmo tempo em que conhecia a ideologia anarquista. Meu período gótico-depressivo foi embalado pelo álbum “A Tempestade”. Poderia fazer um texto só sobre isso.

Portanto, quando fiquei sabendo do filme Somos Tão Jovens, sobre a vida de Renato Russo pré-Legião Urbana, amei a ideia de imediato (sim, sim, sou a tradicional fã putinha que vibra tanto com a vida do ídolo quanto a obra). Os textos sobre a película indicavam que a história trataria da formação da “Tchurma”, o pessoal rocker de Brasília dos anos 80 que revelaria nomes como Plebe Rude, Capital Inicial e a própria Legião. Veríamos no filme um Renato Russo antes de ser a figura mítica e messiânica que tornou-se anos depois.

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(Originalmente publicado no Blog da Fnac em 02/05/2013)

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“Não posso me comparar aos verdadeiros poetas, eu sou uma estrela do rock”.

A frase acima pode soar pretensiosa, mas seu autor o fez por merecer. Estamos falando de Renato Russo, o eterno vocalista da banda Legião Urbana. Como poucos, ele conseguiu marcar toda uma geração com suas letras e músicas. Mesmo anos após a sua morte, suas palavras ainda tocam mentes e corações, independente da idade.

Mas quais as origens desta figura tão mítica a ponto de surgir o trocadilho “Religião Urbana”? Como este menino que nasceu no Rio de Janeiro em 1960 tornou-se de fato um “rock star”, como todas as vantagens e desvantagens disso?

Com direção de Antônio Carlos da Fontoura e apresentando Thiago Mendonça como Renato Russo, o filme “Somos tão Jovens” traz algumas destas respostas. A trama mostra adolescência do artista em uma tediosa Brasília, a formação e o fim abrupto de sua primeira banda, o Aborto Elétrico, e a criação do grupo que o lançaria ao estrelato.

Além da trajetória de Renato Russo, o filme também aborda o surgimento da cena rocker de Brasília. Não só a Legião Urbana, mas também o Capital Inicial e o Plebe Rude nasceram no mesmo local e época. E questões como o movimento punk na capital do Brasil, bissexualidade e até ditadura militar também aparecem, fugindo do didatismo barato que costuma acompanhar filmes sobre figuras reais.

 

(Originalmente publicado no Blog da Fnac em 28/03/2013)

1.  INTERNA – ENTREGA DO OSCAR – NOITE

Plano médio em Quentin Tarantino, de terno e gravata, segurando a estatueta. O diretor e roteirista norte-americano recebe o prêmio de “Melhor Roteiro Original” no Academy Awards (mais conhecido como “Oscar”) por Django Livre. O filme conta a história de um escravo liberto em busca da liberdade da sua esposa, escrava em uma plantação no sul dos EUA. Um dentista alemão o ajuda em sua jornada.

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NARRAÇÃO EM OFF

Houve um tempo em que era fácil definir a pessoa de Quentin Tarantino. Já foi chamado de um nerd que não sabia falar de outra coisa que não fosse cinema. Já foi taxado como um roteirista que não consegue fazer nada original, pois sua carreira foi construída em cima de copiar diálogos, cenas e até sequências inteiras de filmes obscuros que só ele havia visto. Já foi aclamado como a salvação do cinema após a ressaca da era Coppola-Spielberg-Lucas-Scorcese.

Acontece que o sujeito virou um adjetivo. Diga “Tarantino” para alguém e logo vem à mente diálogos rápidos e ácidos, armas, violência tão explícita que vira comédia, referências a filmes obscuros e trilhas sonoras inusitadas. Dito assim parece algo fácil de ser feito ou até mesmo imitado. Mas não é.

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