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hacking

Um mês depois…

de: noname@fdc.com

para: mcaos@fdc.com

cc: Associação Filhos do Caos

Querida Mamãe,

Depois da merda que fizemos no ESP passado, é com muito orgulho que anuncio a eliminação elementos nocivos do encontro e, mais ainda, tomamos posse dele!! Isso mesmo que você entendeu, o encontro agora é NOSSO!!

A estratégia foi simples e sutil. Resolvemos que era besteira ir para o confronto direto. Não queríamos chamar a atenção. Tiramos nossos diplomas das gavetas e usando de jornalismo, publicidade, psicologia e letras (com um pouco da mágika para potencializar tudo, é óbvio) minamos a força de Bela, Abelhinha e seus asseclas.

Mandamos um release para a Folha falando sobre os encontros, indicando quem organizava a coisa etal. O jornal apareceu lá, entrevistou todo mundo e a matéria foi capa do Folhateen. Imediatamente usamos e-mails fakes na lista Gaia-Paganus e nos mostramos indignados com o fato das meninas de Sampa saírem no jornal sem sequer citarem a organização nacional/mundial lá no Rio. A tal de Freya engoliu a isca, ficou mordida e foi tirar satisfação, afinal, as meninas deveriam ser subordinadas a ela, pelo menos em tese.

Como o clima não andava lá muito bom, com isso explodiu uma briga de egos sobre quem manda em quem, qual tipo de satisfação deveria ser dada, um lado acusando o outro de usar os encontros para se promover e tudo sendo cuidadosamente aumentado pelos nossos mails fakes. Ao mesmo tempo o Leósias e Dante começaram a participar de lista tentando apaziguar as coisas, num diálogo para reconciliar os lados.

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van

Quando todos finalmente voltaram a si, estavam deitados em uma van. Em volta deles se encontravam outros membros do grupo que não haviam sido convocados para esta missão: Lesma, Safires e Lilith, com Rocco ao volante. Dante foi o primeiro a conseguir falar algo:

– Eita porra… O que aconteceu?

Rocco gritou lá da frente:

– Mamãe tentou falar com vocês via celular e não conseguiu. Tentou o elo psíquico e nada também. Então fomos convocados para o resgate!

Noname parecia estar acordando de uma ressaca:

– Poutz… E como vocês conseguiram?

– O único cara que poderia me encarar estava desmaiado no quarto. – comentou Lesma, sorrindo. – As minas não quiseram encarar minha boken e o Rocco ali quebrou o rádio com um chute para mostrar que não estávamos brincando. Sem o som a energia lá baixou legal.

– Isso não muda o fato de que caímos como amadores na porra da armadilha delas. – disse Leósias, voltando a si. – Não sei vocês, mas não estou a fim de deixar isso barato. Subestimamos as garotas, mas saquei o ponto fraco delas: tiram suas energias dos outros e para isso precisam de muita gente. A questão agora é fazer essa porra de encontro virar um caos, no sentido pejorativo mesmo.

Noname suspirou:

– E você já tem um plano em mente, certo?

Leósias sorriu sem graça:

– Não. Mas vou ter. E aí juro que fodo com aquela Bela, e não é no sentido bíblico.

O interior da van explodiu em gargalhadas

(a seguir: o final!)

torre

A confraternização era em um apartamento de uma delas, próximo ao parque. Dava para ir a pé até lá. No meio do caminho, Dante ficou um pouco mais atrás com o resto do grupo e comentou:

– Galera, a casa delas é exatamente em cima da Linha de Ley que passa pelo Parque Trianon e pelo MASP, queria acreditar que é coincidência, mas…

– “Coincidências não existem”. – disseram todos, contendo a risada.

A turma toda chegou ao prédio. Entraram, subiram pelo elevador e chegaram ao apartamento. A decoração imediatamente chamou a atenção. Havia um pentagrama vermelho pintado no teto, estátuas de bruxas, pôsteres de lobos, uns cinco gatos circulando e uma enorme espada de duas mãos pendurada atrás da porta. Leósias aproximou-se de Noname:

– Caralho, cê viu aquela espada? Acho que não devíamos ter dispensado os Ice Knigths. –começou a olhar ao redor. – E, outra coisa, essa casa era pra ser um poço de energia negativa, mas os gatos e o pentagrama estão amenizando a coisa toda. Mesmo assim, eu consigo sentir. Vamos erguer um Círculo Branco em torno de nós.

– Círculo Branco? – Noname contorceu o rosto com desdém. – Porra, isso é técnica dos Rosa-Cruzes Áurea!

– Eu sei. Mas é fácil e rápido de fazer, além de nos proteger dos ataques psíquicos e mentais mais óbvios. Vamos falar com os outros.

Visivelmente contrariado contrariado, Noname saiu para passar o recado. Então chegou perto de Leósias um rapaz alto, forte, careca, de bigode, cavanhaque e óculos escuros. Ele estava no encontro com a donas do apartamento Abriu um sorriso nem um pouco sincero e perguntou:

– Lembro que você falou lá no ESP que lia tarô. Por acaso seu baralho tá aí?

Leósias resolveu entrar na conversa enquanto tentava entender a situação:

– Tá sim.

– Tem como você ler pra mim?

Decidiu ver aonde aquilo ia dar:

– Claro, só vamos para um lugar mais reservado.

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Trianom-Masp - 6 - Chafariz

Estação Trianon-Masp do metrô, começo da tarde de domingo. Perto da catraca, estavam reunidos Leósias, Dante, Camis e Drafenna. A primeira das meninas delas tinha pele bem  morena, encaracolados e curtos em delicado piercing no nariz. Usava um vestido e trazia um violão a tiracolo. Já a outra , apesar de morar no litoral, tinha a pela bem clara. Era magra e com cabelos castanho claro raspados bem baixos. Vestia uma camisa regata rosa, calça jeans e tênis.

Olhando ao redor, Dante reclamou:

– Porra, o Noname vai atrasar de novo?

– Caralho, Dante! – Leósias respondeu de sopetão. – Ele vai vir mais tarde com os Ice Knigths. Eles não sabem todos os detalhes da missão.

Drafenna abriu um sorrido irônico e perguntou:

– Então podemos ir né?

Todos se dirigiram para o Parque Trianon. O local do encontro era uma área próxima à uma fonte que existia lá dentro, mas estava desativada agora. Conforme combinado, Noname chegou meia hora depois com os seus amigos. Até aquele momento, tudo parecia relativamente normal. Pessoas vestidas como no dia a dia, alguns com pinta de góticos, outros com seus tradicionais símbolos pendurados ao pescoço. A maioria era jovem, mas havia um casal já chegando na meia-idade. As organizadoras eram duas garotas, Bela e Abelhinha, simpáticas e atenciosas. Noname e o outros procuravam atentos algum sinal de algo estava errado, mas encontravam nada. Leósias comentou com ele:

– Tem certeza que é esse o encontro? Só tem um monte de gente metido a wicca, pseudo-góticos…

– Tenho, mas estou estranhando também. De qualquer jeito, vamos ver no que dá.

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mirc

Dante Sólon entra na sala.

Leósias entra na sala.

Noname entra na sala.

Dante Sólon fala para todos: Ice!

Leósias fala para todos: Chaos!

Noname fala para todos: Chaos! E aí, quais as informações que vocês conseguiram?

Leósias fala para todos: Bem, o encontro que vai rolar domingo agora é o ESP, Encontro Social Pagão. Quem organiza é uma lista de discussão de e-mails chamada Pagãos de Gaia, que existe faz uns anos já e tem membros do Brasil inteiro. Esses encontros rolam aqui em Sampa, no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Porto Alegre e estão organizando pra começar um em Lisboa, Portugal.

Dante Sólon fala para todos: Portugal? Eita porra! O bagulho não é pequeno não!

Leósias fala para todos: Esta lista não pertence à nenhuma ordem ou coisa do tipo. Quem fundou a parada é uma bruxa natural que atende pelo nick de Freya e ela é do Rio. Até onde pude ver, não trabalha pro outro lado. Ela até ajuda a gente meio que sem querer…

Noname fala para todos: Então por que a Mamãe nos mandou dar uma olhada?

Leósias fala para todos: Porque aqui em São Paulo esse encontro virou alvo de disputa de algumas facções do paganismo. Parece que a Associação Brasileira de Bruxos (Abrabru) está tentando tomar o controle do evento, que se diz independente de qualquer ordem. Além disso, parece que as organizadoras daqui estão tretadas com a tal Freya e pra piorar, temos maçons e rosacruzes comparecendo ao encontro.

Noname fala para todos: Será influência deles a briga?

Leósias fala para todos: Não dá pra saber… A questão é que é quase certeza que o próximo encontro vai ser o último que essas minas vão organizar e aí teremos uma brecha na organização e um monte de gente babando pra pegá-la. A tal de Freya parece que até tenta escolher quem organiza a parada aqui, mas como ela tá no Rio, nada é certo.

Dante Sólon fala para todos: Tá, vamos ter que ir para lá. Além de nós, alguém mais para chamar?

Leósias fala para todos: Bem, acho bom chamar a Drafenna e a Camis, porque tem que ter mulher na parada. E Noname, não rola chamar uns Ice Knigths pro caso de rolar alguma treta?

Noname fala para todos: Rola sim. Chamo o Ogrinho e o Lord Gustaf.

Dante Sólon fala para todos: Belesma então. Nos encontramos no domingo no horário e local combinado. Leósias avisa os outros e Noname chama os Ice.

Noname responde para todos: Certo então! ICE!

Dante Sólon fala para todos: CHAOS!

Leósias fala para todos: CHAOS!!

Noname sai da sala.

Dante Sólon sai da sala.

Leósias fala para todos: Por que eu sou sempre o último a sair?

Leósias sai da sala.

(continua…)

pracasilvioromero

Praça Sílvio Romero, bairro do Tatuapé, cidade de São Paulo, Brasil. No chão do coreto que ocupava a área em frente à igreja, estavam sentados dois sujeitos, fumando e com um ar impaciente. Um deles era cabeludo, sobrancelhas grossas e barba por fazer. Vestia camisa xadrez, calça jeans, sapatos e trazia bolsa preta a tiracolo. Já o outro tinha cabelos pretos penteados para trás e vistosas suíças. Usava óculos vermelhos e estava todo de preto. Ambos estão fumando e parecem impacientes.

O cabeludo acendeu mais um cigarro e comentou, irritado:

– Caceta, o Noname nunca é pontual.

O de óculos apagou seu cigarro e jogou sem se importar aonde ele iria cair:

– Isso não é novidade, Dante. O importante é que tá vindo. Mesmo porque é ele quem sabe da missão.

– Certo, certo… – suspirou Dante. – É que eu trouxe umas brejas e não queria que elas esquentassem, Leósias, só isso…

Então surgiu na esquina um sujeito de longos cabelos encaracolados e barba por fazer. Também usava óculos, mas vestia camiseta do Blind Guardian, calça jeans, tênis Adidas e trazia uma mochila nas costas. Os dois na praça sorriram ao vê-lo:

– Aleluia!

Noname sorriu:

– Tentei vir na hora, mas minha mãe queria que eu comesse antes de sair e…

– Tá bom, tá bom! – interrompeu Dante. – Vamos ao que interessa!

Ele tirou algumas latas de cerveja da bolsa. Todos abriram, brindaram e deram um belo gole. Noname respirou fundo e então começou:

– Recebi uma mensagem da Mamãe Caos. Temos uma nova missão. – deu mais um gole na cerveja. – Parece que tem uma nova egrégora se formando na cidade e temos que checar se tá tudo rolando bem.

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