Arquivo da categoria ‘Ocultismo’

(Publicado originalmente no Contraversão em 21/11/2011)

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Nós ocidentais temos uma visão bastante limitada sobre o que é ser um homem santo, sábio, ou iluminado. Talvez por culpa de nossa formação predominantemente cristã, associamos que o caminho para a Verdade passa pela negação das “coisas da carne” e que temos que nos esforçar para ser uma pessoa “bondosa”, sem inimigos e que não magoe ninguém. Isso não só demonstra como é errado nosso conceito de Iluminação, mas também de como o Cristianismo se modificou através dos anos.

Poucos se lembram de que o primeiro milagre de Jesus foi transformar água em vinho. Muitos fingem que aquela passagem em que Jesus faz um chicote de corda, dá nos vendedores em frente ao templo e destrói suas barracas não existe. E a Santa Ceia regada a carne e vinho? Muitas linhas esotéricas consideram Jesus Cristo como o homem que mais próximo chegou de Deus. E ele bebia, comia carne e ficava puto.

Indo para o outro lado do mundo, também nos prendemos à clichês quando se trata de monges budistas e outras religiões/filosofias orientais. Achamos que todos meditam entoando mantras em meio a incensos queimando, estão sempre calmos e se alimentando de muito chá e arroz. Nada mais longe da verdade.

Claro que eu também pensava desse jeito. Por isso mesmo a leitura de Vagabundos Iluminados, de Jack Kerouack foi um choque para mim. Ali temos budistas bebendo, fumando e transando como se não houvesse amanhã. Temos pessoas meditando enquanto caminham e pessoas atingindo o satori ao jogar tudo para o alto.

O que tudo isso quer dizer? Que muitas vezes o que nos dizem ser o caminho rumo a um degrau mais elevado de existência não é o único caminho válido. Que muitas vezes nos privamos de certas coisas achando que estamos sendo “corretos” quando na verdade estamos é nos prejudicando mais e mais.

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(Publicado originalmente no Contraversão em 09/10/2014)

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Como estou reorganizando minha coleção de cartas de Magic: The Gathering, resolvi dar um pulo no shopping para comprar alguns plásticos para fichário e manter minhas cartinhas queridas organizadas. O shopping é relativamente perto de casa, então decidi que voltaria a pé, refazendo caminhos antigos que fazia em épocas mais… lúdicas, por assim dizer, da minha vida.

Mas, eis que ao adentrar na loja, descobri que os malditos plásticos haviam acabado, e percebi que havia sido manipulado pelos deuses para empreender a jornada. Sorri para eles por terem me enganado direitinho, mas aceitei o desafio de bom grado e me preparei pare revisitar velhas paragens.

A praça que existe ali perto era um antigo Local de Poder da minha velha trupe de truques magias e enganações. Ali era lugar de ficar bêbado, enamorar, brigar (de maneira figurada e literal), assustar passantes, dançar, vender artesanato com os hippies, discutir verdades absolutas (sabendo que eram transitórias), praticar rituais diversos etc. Ali éramos deuses.

Nós realmente tomamos posse daquele lugar. Havia um coreto ali e, quando chegávamos, todos que estavam nele se retiravam. Estranhos só adentravam com a nossa permissão. Varamos noites ali, ao lado de um posto da Polícia Militar, sem jamais sermos importunados por eles. Vimos prédios erguerem-se e sumirem. Vimos amores nascerem e morrerem. Vimos bicicletas com neon nas rodas e caixas de som mais potentes que muitos carros.

Mas crescemos, a vida começou a nos trazer responsabilidades, assumimos compromissos e, aos poucos, deixamos de frequentar aquele círculo que presenciou tantas histórias. Quando houve uma reforma na praça e o coreto foi totalmente retirado, percebemos que uma era havia chegado ao fim.

E cá estou eu, praticamente dez anos depois, indo rumo a este lugar em busca de não sei o que. Não é que não haja mais Mágika em minha vida. Finalmente estou direcionando energias para objetivos mais concretos, construindo coisas, mas tenho refeito alguns caminhos para fazer os elos entre o que foi e o que é, talvez para ter pistas de o que será.

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