Arquivo da categoria ‘Opinião’

(Publicado originalmente no Contraversão em 21/08/2013)

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“Se você acha ‘OK’ que o cara que te zoava por ler gibi na escola agora pagar de entendido por ver dois filmes do Wolverine… Daí vai do seu coraçãozinho. O meu não acha justo!”

Presenciei nas últimas semanas duas ondas de fúria nerd que considerei, para ser educado, desnecessárias. A primeira veio de um anúncio mal interpretado da autora de saga Crepúsculo, onde anunciou que gostaria de passear pela Terra Média. Multidões ergueram tochas e ancinhos, ao invés de ler o texto original e perceber que ela só manifestou uma vontade de escrever fantasia medieval. A inquisição das redes sociais é tão manipulável e implacável quanto a de Torquemada.

A outra veio de um bate-papo entre amigos sobre Círculo de Fogo, filme sobre robôs e monstros gigante de Guillermo Del Toro. Vi o filme e gostei bastante, mas parece que sou uma exceção à regra entre os entendidos do assunto. Li coisas como “O diretor chegou tarde em uma festa que já acabou”, “Já fizeram coisa melhor antes” e a que considerei melhor de todas “Pacific Rim é tão coisa pra civil que todo otaku de meia tigela sabe que cockpit de mecha não fica na cabeça, isso é uma heresia contra todo o cânone dos robôs japoneses”.

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(Publicado originalmente no Contraversão em 25/05/2012)

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Sabe, minha vida não era muito fácil lá pro meio dos anos 1990. Eu era magrelo, de óculos, corcunda, leitor voraz e segundo os amigos: “engraçado e inteligente”. As meninas me definiam como “um cara legal”. Quem lia gibi falava “xismém” e não “équismem”. Na minha quinta-série, na sala de aula o ÚNICO que lia gibi era eu. Lá pelo meio do ano que consegui converter dois amigos meus. E foram estes que me acompanharam até a oitava série. Só quando entraram alunos novos no Ensino Médio foi que conheci mais gente pra conversar sobre o assunto. Meu primeiro grupo de RPG durou quase 2 anos com os membros originais porque a gente não conhecia mais ninguém que jogava.

Em tempos em que a palavra bullying não existia, minha pessoa era alvo fácil das aloprações dos valentões da escola, para usar os termos da época. Desde os tradicionais apelidos vergonhosos (torto, quatro-olho…) até tapas na cabeça e tropeções. O auge disso foi na sétima série, quando, na hora do intervalo, me empurraram escada abaixo com as calças abaixadas. Não sei até hoje como não me machuquei.

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(Publicado originalmente em NerDevils em 28/09/2011)

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Mulheres denunciam maus tratos por homens de maneira organizada? FEMINAZIS! Homossexuais se organizam para reivindicar igualdade de direitos? GAYZISTAS! Fica incomodado porque as o escrevem errado na Internet? É um GRAMMAR NAZI! Não gosta de axé e vaiou a apresentação da Cláudia Leitte no Rock In Rio ou criticou o show no Twitter? Você pode estar sendo nazista!

É isso mesmo. Eis a exata frase de cantora Cláudia Leitte em seu blog: “Não gostar de Axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Google sobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus…”. Tudo isso porque ela deve ser irritado muito com os comentários negativos de várias pessoas em relação à sua apresentação, por mais que ela não queira admitir.

Logo veio um monte de gente alegar que a cantora foi “mal interpretada”. Ao meu ver, se um monte de gente lê seu texto e entende errado, o problema está no texto e não nos leitores. Sem contar esse argumento escroto de “Não gostar de Axé é normal! Anormal é…”, que me lembrou aquele povo que diz “Nada contra gays, desde que fiquem na sua”. Claro, Cláudia Leitte, eu posso não gostar de Axé, desde que seja nos SEUS termos né?

“Mas se você sabia que ela se apresentar, pra que ir lá vaiar?”

“Não gosta? Chegasse mais tarde ou ia para um canto.”

“Não gostou, ignore. Isso é falta de respeito.”

Essa linha de raciocínio está certa? Será que todos os que foram para a Cidade do Rock na última sexta-feira eram fãs de todos os artistas que se apresentaram?

Vamos ser sinceros: a maioria das pessoas planejou a tanto tempo a viagem para o festival e gastou tanto tempo e dinheiro para estar lá que fez questão sim de ficar no evento a maior parte de tempo possível. E mesmo que você só quisesse ver o Elton John, pagou pelos shows da Cláudia Leite, Katy Perry e Rihanna. E se já tá pago, vamos lá dar uma conferida, certo? E se eu conferi , não gostei e quero deixar claro minha posição, faço o que? Vaio. É uma manifestação legítima do meu gosto, pouco importando se o restante do povo vai me acompanhar ou não. E o artista e organização de festival tem o direito e obrigação de saber quando erraram a mão, até para evitar o que aconteceu com os meninos do Glória, que foram vaiados O SHOW INTEIRO por culpa de erros crassos de casting.

“Mas o pessoal do Twitter nem tava no show, não pagaram. Pra que ficar reclamando?”.

Bom, até onde eu sei eu posso omitir minha opinião quando eu quiser, desde que não minta e nem prejudique ninguém. Eu estava no Twitter na hora da apresentação da Cláudia Leitte e os comentários se resumiam a “axé no Rock In Rio não dá”, “que [insira seu palavrão favorito] de cover que ela fez” e “pelo menos ela é gostosa”. Duvido que os comentários sobre os shows da Katy Perry e Rihanna tenham sido diferentes. Então todo mundo fez o que faria se estivesse em uma mesa de bar vendo o show pela televisão: opinou. E ninguém é exatamente educado em uma mesa de bar, né? A única diferença do bar pro Twitter é que fica tudo registrado lá para você ou qualquer um ver depois. Isso pode até gerar desde processo até ego ferido, como é claramente o caso da musa do Axé.

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Barba, a maquiagem masculina

Publicado: 17 de novembro de 2014 em Opinião
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barba1 No Antigo Egito, cultivar a barba era sinal de status, algo permitido somente aos membros mais abastados da nobreza. Na Grécia Antiga, grandes filósofos, matemáticos e políticos ostentavam uma vasta quantidade de pelos no rosto. Já na Europa da Idade Média, sacerdotes eram aconselhados a não terem barba, assim não seriam confundidos com judeus, muçulmanos ou bárbaros germânicos. Foi só por volta de 1700 que a barba passou ser alvo da vaidade masculina, com a invenção de modelos de navalhas mais seguros. De lá para cá, usar ou não barba virou uma questão estética puramente pessoal. Durante boa parte do Século XX, a ideia de rosto livre de pelos foi associada à higiene, e ainda hoje certas pessoas e lugares consideram que ostentar barba é sinônimo de desleixo. De lá pra cá, diversos grupos contestadores tiveram a barba associada a eles: hippies, gays, comunistas… Hoje a barba está presente em diversos rostos e nos mais diversos locais. Pesquisas comprovam que mulheres preferem homens com barba. Estas mesmas pesquisas revelam que mulheres preferem homens sem barba. Chegou-se até a comentar sobre uma ascensão e queda na moda dos rostos peludos. Balela. Barbas sempre estiveram aí e sempre estarão. (mais…)

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A Internet produziu alguns fenômenos notáveis. Um deles foi a ascensão da cultura nerd ao mainstream da cultura em geral. Não, ela não foi a única responsável, mas seu imenso poder de divulgação fez com que alguns aspectos saíssem daquele gueto e conquistassem o grande público. O maior exemplo disso pode ser visto em camisetas. São diversas estampas com temática nerd desfilando por aí (quem nunca viu alguém com uma do Lanterna Verde?) e as pessoas sabem o porquê de estar usando aquela peça de roupa. Mesmo que seja porque “gostou do desenho”.

Os nerds se esbaldaram com a Internet, seja porque a distância física de pessoas os fez perder parte da sua timidez, seja porque ali conseguiram encontrar pelo mundo todo pessoas com o mesmo gosto que eles. Mas aí pessoas diferentes e com gostos diferentes começaram a invadir este espaço, não falando necessariamente de RPG, Star Wars ou programação. E daí vem outro fenômeno da web, este vindo de tempos mais recentes, acompanhando o que as pessoas postam no Twitter, Facebook e afins: a reclamação generalizada.

O processo é sempre o mesmo. Uma galera começa a falar de alguma coisa. Uma outra galera começa a fazer piadas sobre. Já uma outra galera reclama de quem está falando disto. Por fim a primeira galera se junta com outra para reclamar de quem estava reclamando. Isso vale para QUALQUER assunto: de Literatura Russa ao programa “Mulheres Ricas”. E claro que com futebol isto não seria diferente.

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