Arquivo da categoria ‘Política’

(Originalmente publicado em Contraversão em 30/10/2012)

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“Você quer saber sobre eleição. Eu tô aqui pra falar sobre eleição. Faz de conta que você tá em uma imensa boate subterrânea cheia de pecadores, putas, malucos e coisas inomináveis que estupram pit-bulls só de farra. E você não pode sair, não até que todo mundo vote no que vocês vão fazer esta noite. VOCÊ que pôr os pés pra cima e assistir a reprise do seu seriado favorito. ELES querem trepar com uma pessoa normal usando facas, revólveres e novos órgãos sexuais que você nem sabia que existiam. Então você vota na TV, e o resto, até onde você consegue enxergar, vota em te comer com canivetes. Isso é eleição. Bem-vindo.”

Spider Jerusalém, Transmetropolitan

No Fest Comix, a Panini lançou o terceiro volume encadernado da HQ, Transmetropolitan. O timming não poderia ser mais apropriado, já que o que move as histórias deste álbum são as eleições e, tanto aqui em São Paulo quando em todas cidades do país, acabamos de voltar às urnas para o segundo turno das eleições municipais.

Para quem não sabe do que se trata Transmetropolitan, um breve resumo: Spider Jerusalem é um jornalista que se isolou em uma montanha, incapaz de lidar com a fama e assédio de fãs. Mas, após cinco solitários e felizes anos, é obrigado a voltar para a cidade, pois só assim poderia escrever dois livros que deve para uma editora. Enquanto pensa em como fazer as publicações, volta a trabalhar em um grande jornal, onde destila sua amarga visão de mundo em uma coluna semanal intitulada “Eu Odeio Isso Aqui”.

Escrita por Warren Ellis e com desenhos de Darick Robertson, esta série se destaca pelo seu protagonista e pelo cenário onde ele atua. Spider Jerusalem odeia pessoas, está em um local cheio delas e tem que lidar com elas diariamente para poder trabalhar. Não disfarça isso nem um pouco e faz questão de ser o mais ofensivo possível. O jornalista sobrevive em um mundo futurista onde as pessoas não sabem (ou não fazem questão de saber) em que ano estão. Além disso, qualquer coisa é possível, desde realidade virtual até clones sem cérebro para fornecer carne humana para lanchonetes, passando por implantes bizarros, pombas com quatro asas e muito mais.

E o que isso tudo tem a ver com São Paulo?

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(Você pode ler a primeira parte deste texto aqui)

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Conforme a palhaçada entre PT e PSDB crescia e ficava cada vez mais difícil diferenciar quem era acusador ou quem era acusado, o eleitorado começou a prestar atenção na terceira colocada nas pesquisas: Marina Silva pelo Partido Verde e com uma coligação sem força política expressiva.

O tempo seu de televisão era 1 minuto e pouco, mas como ela pontuava relativamente bem nas pesquisas e a mídia costuma cobrir pelo menos os três primeiros nomes, foi tendo seu espaço garantido. Com os debates, começou a crescer, mostrando-se inclusive mais agressiva do que o esperado de uma mulher com a sua aparência frágil. E foi martelando que essa eleição não era um plebiscito entre A e B, assim como ela era a candidata da continuidade e não do continuísmo. Parecia besteira semântica a princípio, mas o tempo provou que não.

A meu ver. o ponto de virada foi o debate on-line Folha/UOL. Este debate ocorreu em um dia de semana de manhã. Só quem tinha internet no trabalho ou quem estivesse em casa pode acompanhar o debate. Justamente esse povo que se acha super engajado, mas só acompanha o que rola de quatro em quatro anos (quando isso). No encerramento deste, Marina Silva, alfabetizada aos 16 anos, definiu-se como “um milagre da educação”. Aposto que tinha gente no meu Twitter chorando nessa hora.

E por que esse foi o ponto de virada?
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pt x psdb

Independente de quem vá ganhar o 2° turno da eleição presidencial deste ano, a única candidatura realmente vitoriosa foi a de Marina Silva pelo Partido Verde (PV). Parece uma grande loucura dizer isso uma vez que ela não foi eleita e não passou de 3° nas pesquisas, mas vamos analisar o cenário e seus fatores um pouco mais a fundo, já que tanto José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estiverem em algum momento da corrida presidencial com o jogo praticamente ganho e, por erros da própria equipe de campanha ou de algum aliado, colocaram tudo a perder.

Serra despontava como favorito até o primeiro semestre, mas aí sentou em cima de seu favoritismo e usou e abusou disso antes do início oficial da campanha. Primeiro atropelou adversários dentro do próprio partido, barrando uma votação interna para a escolha de um candidato tucano e assim tirando Aécio Neves (MG) do páreo. Mas o mineiro tem uma base ampla dentro do partido (incluindo aí Geraldo Alckmin em São Paulo) e esse racha interno seria notado em todo o decorrer da campanha, com candidaturas do partido e da base aliada mostrando José Serra muito pouco ou até mesmo o omitindo totalmente em programas e santinhos.

Depois veio a demora em oficializar a candidatura. Pode parecer bobagem diante do fato que todo mundo já sabia que ia ser ele mesmo, mas diante da burocracia sem fim que é a Legislação Eleitoral brasileira, isso faz muita de diferença para definir alianças, arrecadações, doações e material de campanha.

E a cartada final foi a “escolha” do vice-candidato empurrado à força pelo DEM. A única coisa notável no currículo de Índio da Costa era ele ter sido o redator do projeto de lei Ficha Limpa e MAIS NADA. Era nítido que o partido aliado não tinha nada melhor para oferecer e a escolha foi alvo de chacota para muita gente.

Durante a campanha em si, o candidato José Serra parecia sofrer de uma doença muito em moda atualmente: Transtorno Bipolar. Ele tinha que falar mal a Dilma sem falar mal do Lula, um presidente com mais de 70% de índice de aprovação. E aí tivemos aquele discurso esquizofrênico, onde se falava mal do governo e se mostrava alinhado a Lula. Claro que ninguém engoliu isso e Serra caía cada vez mais nas pesquisas.

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Ex-governador de Pernambuco pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos apresenta-se como um novo nome na política, mas sua carreira na área iniciou-se 1987, atuando como chefe de gabinete no governo estadual de seu avô, Miguel Arraes. Desde então, atuou como deputado estadual (1 mandato), deputado federal (3 mandatos), Ministro da Ciência e Tecnologia durante o governo Lula e, por fim, governador por dois mandatos.

Atual presidente de seu partido, fazia parte da bancada aliada no governo federal até 2013, quando rompeu o Partido dos Trabalhadores (PT). Começaram então especulações de que o PSB lançaria candidato próprio, na figura de Campos. Especulações que se confirmaram com a filiação da Marina Silva ao PSB e o anúncio de que ela seria sua vice-candidata.

No dia 26 de maio, Campos foi o primeiro presidenciável a ser entrevistado pela bancada do programa Roda Viva, na TV Cultura. De terno, mas sem gravata, apresentou um visual ao mesmo tempo sério e despojado. Como todo político de carreira, é especialista em responder indagações sem sequer mencionar o que foi perguntado. Na análise que segue, vou aprofundar alguns pontos que achei mais pertinentes da entrevista.

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