(Publicado originalmente no Contraversão em 25/07/2013)

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Eu era um nerd típico no meio dos anos 1990: estudioso, desajeitado com as mulheres e alvo constante das zoeiras dos playboys e valentões do colégio. Já lia HQs (na época era um marvete de carteirinha) e jogava RPG, sendo o “mestre oficial” da turma. A febre entre meu grupo de jogo na época era o GURPS e devorávamos todos os cenários possíveis. O GURPS era um sistema de RPG genérico que permitia criar aventuras em quaisquer cenários, com mínimas adaptações nas regras. Caso você quisesse se aprofundar em algum cenário mais específico, existiam suplementos detalhando desde eras históricas até viagens espaciais.

Havíamos acabado uma campanha de fantasia medieval e estávamos no meio de uma de cyberpunk quando a Devir lançou o suplemento GURPS Supers, com regras detalhadas para jogar com heróis do mais diversos tipos. Um dos maiores problemas deste RPG no Brasil na época era sua falta de cenários prontos para jogar. Você tinha que criar do zero ou adaptar de algum outro jogo. Para suprir esta demanda, o GURPS Supers brasileiro era um suplemento “dois em um”: além do Supers em si, o livro trazia junto a adaptação do mundo de Cartas Selvagens, com história e diversos personagens. Você podia ainda comprar um kit que trazia junto um pôster a e minissérie em quadrinhos Cartas Selvagens, que a Globo havia lançado alguns anos antes.

Claro que comprei o kit.

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5.1.2

Não sei precisar quando o rock adentrou o meu lar. Lembro que quando tinha uns 14 anos, meu pai, começou a gostar de guitarrista do Gun’n Roses, o Slash. Ele vivia ouvindo Rádio Cidade (pagode, sertanejo e pop nacional em geral) e cismou que aquele cabeludo de cartola era o melhor do mundo. Como ele ouviu a banda, sabia quem era o guitarrista e quais eram os critérios de um bom guitarrista são mistérios para mim até hoje. Desconfio que tenha a ver com a MTV.

Então meu irmão do meio apareceu com uma fita do Appetite for Destruction e ele ouvia direto, mas confesso que não me encantou muito. Talvez um dos motivos seja porque o primeiro fora que eu tinha levado em um bailinho de garagem na vida foi ao som de Patience, da mesma banda. Tudo bem que na época isso tinha rolado a mais de um ano, mas mesmo assim me afetava.

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(Publicado originalmente no Contraversão em 15/07/2013)

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George R. R. Martin ficou famoso no Brasil devido à série de fantasia medieval As Crônicas de Gelo e Fogo, mais popularmente conhecidas como Game of Thrones / Guerra dos Tronos, nome do primeiro livro da saga. O estilo realista, a trama política e a sanguinolência que permeiam a obra a tornaram um sucesso de público e crítica, com um seriado de TV baseado nos livros que tem feito tanto sucesso quanto sua versão escrita. Mas, antes de narrar a guerra pelo Trono de Ferro, Martin foi um dos responsáveis pela criação de um universo tão rico quando Westeros: a série de livros Wild Cards (Cartas Selvagens, em português).

Dizem as lendas que Wild Cards era o cenário de RPG de uma campanha envolvendo super-heróis e que Martin era o narrador do grupo. Os jogadores ficaram tão envolvidos com a mitologia criada que resolveram transformá-la em uma série de contos ambientadas nela (quem nunca?), com Martin servindo como organizador e editor. A ideia foi um sucesso e gerou uma série de livros que já está em seu 22° volume (e ainda não acabou!), adaptações para HQ e um retorno ao RPG.

A trama gira em torno de um vírus alienígena que infecta o Planeta Terra após o término da Segunda Guerra Mundial e seus efeitos na história da humanidade. Desenvolvido pela civilização avançada do Planeta Takis, ele possui a capacidade de causar mutações únicas nos humanos infectados, de acordo com as predisposições de cada indivíduo. Como os efeitos de uma infecção em massa eram desconhecidos, os takisianos resolveram fazer o teste em um planeta onde a espécie dominante possui o código genético idêntico ao deles. No caso, o nosso planeta.

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Após um jantar romântico e uma noite de sono na casa do namorado, Joana acordou e percebeu que estava com um problema bem estranho: Mauro, seu namorado, não acordava de jeito nenhum! Quando já pensava em ligar para algum serviço de emergência, recebeu a visita de uma entidade chamada Anaoj. Ela explicou que Mauro só acordaria se Joana descobrisse dez coisas que não soubesse sobre seu namorado. Para isso, ia precisar encontrar dez pessoas com estas informações. O problema é que nenhuma delas estaria disposta a passá-las. Não sem um preço.

Esta é a premissa de Dito pelo não dito, um romance-mosaico independente que está com uma campanha de financiamento coletivo no Catarse.

Como assim, “romance-mosaico”?

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(Publicado originalmente no Contraversão em 22/03/2012)

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Demorei um pouco para começar a me aventurar pelos jogos das redes sociais. Ainda em tempos de Orkut, comecei a jogar Organized Crime porque praticamente todos meus amigos estavam jogando e também porque me lembrou The Crims, um jogo online de eras atrás que joguei por um tempo.

Porém, mais do que ficar competindo por status e poder em brigas PvP (Player versus Player), um jogo me fisga mesmo é pela história. Em Organized Crime, o jogador começava batendo carteiras de velhinhas e mais adiante já era um chefão do crime nacional, com direito a todos clichês do gênero: traições, brigas de facções rivais, controle de estabelecimentos, acordos com autoridades e por aí vai. Estava gostando bastante, mas com o tempo, passei a usar cada vez menos o Orkut e acabei abandonando o jogo. Será que meu império do crime ainda existe em algum servidor cheio de pó?

Mas o grande sucesso do Orkut era um jogo chamado Colheita Feliz. Nunca joguei, mas basicamente você tem uma fazenda e deve cuidar de toda a manutenção dela: plantar, regar, colher, distribuir, vender e comprar. Há também animais e o processo é o mesmo. É um jogo que exige manutenção constante, sendo que se você ficar muito tempo sem entrar, plantas e animais podem morrer. Também não há nenhuma história, você cuida da sua fazenda e interage com outros fazendeiros. A febre foi tanta que existiam desde vírus prometendo vantagens até vídeos de pessoas indignadas com a empresa que cuidava da manutenção do jogo.

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O diferencial destes jogos em redes sociais é que você depende de outros jogadores para conseguir certos itens ou vantagens, além de que o número de amigos dentro do jogo aumenta seu poder dentro dele. Se o jogo é um aplicativo dentro de uma rede social, nada mais natural do que o mesmo estimular que você brinque junto com seus amigos. E não há escapatória, certas missões ou tarefas só podem ser cumpridas com a ajuda de outras pessoas. Caso o seu negócio ainda seja jogar sozinho, melhor continuar com o bom e velho videogame.

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(Publicado originalmente no Mobground em 04/11/2015)

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Fui uma criança que sonhava em ser cientista. Comprava aqueles “kits de ciências” que eram vendidos em lojas de brinquedos. Fazia experiências com os mais diversos insetos colhidos em quintais e nas ruas. E, obviamente, era apaixonado por dinossauros.

Guardo até hoje álbuns de figurinhas, revistas e recortes de jornais sobre o assunto. Sonhava em ser paleontólogo. Portanto, imaginem minha surpresa quando, em 1991, anunciaram um livro sobre um parque onde visitantes poderiam ver dinossauros de verdade recriados por engenharia genética. Era uma edição de capa dura com o título traduzido como Parque dos Dinossauros.

Acompanhei a jornada de Alan Grant, Ellie Sattler, Ian Malcom e companhia com o coração na mão. Até hoje as sequências do tiranossauro rex atacando os carros e dos velocirraptors caçando todos no prédio principal me deixam, no mínimo, tenso para cacete. E naquela primeira leitura aquele livro tornou-se minha obra favorita do resto da minha vida.

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De lá pra cá, li o livro quatro vezes, assisti ao filme sete e, obviamente, comemorei que nem um jogador de futebol fanático quando a Editora Aleph anunciou que iria lançar uma nova edição de Jurassic Park, com nova capa e diversos extras.

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(Publicado originalmente no Blog da Fnac em 18/04/2013)

 

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“ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn”*.

Em tempos antes do próprio tempo, seres ancestrais habitavam a Terra, todo o universo e além. Eram seres tão poderosos que suas formas e conceitos não podiam ser compreendidos pela limitada mente humana. Muitos deles partiram para outras dimensões, antes do próprio conceito de humanidade existir. Outros permanecem entre nós, adormecidos nas profundezas do oceano ou nos confins do planeta. Seus adoradores fazem ritos tenebrosos e sacrifícios horrendos, nutrindo uma vã esperança de obterem poderes sinistros ou serem poupados quando seus mestres retornarem. E eles retornarão.

Das regiões mais distantes do universo, diversas raças alienígenas vêm o nosso planeta em busca de minérios ou de experiências cujo objetivo só eles compreendem. Isolados há séculos, começam a ser descobertos com o avanço da civilização urbana. Para preservar a si mesmos e suas pesquisas, iniciam um lento processo de infiltração na sociedade terráquea.

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hacking

Um mês depois…

de: noname@fdc.com

para: mcaos@fdc.com

cc: Associação Filhos do Caos

Querida Mamãe,

Depois da merda que fizemos no ESP passado, é com muito orgulho que anuncio a eliminação elementos nocivos do encontro e, mais ainda, tomamos posse dele!! Isso mesmo que você entendeu, o encontro agora é NOSSO!!

A estratégia foi simples e sutil. Resolvemos que era besteira ir para o confronto direto. Não queríamos chamar a atenção. Tiramos nossos diplomas das gavetas e usando de jornalismo, publicidade, psicologia e letras (com um pouco da mágika para potencializar tudo, é óbvio) minamos a força de Bela, Abelhinha e seus asseclas.

Mandamos um release para a Folha falando sobre os encontros, indicando quem organizava a coisa etal. O jornal apareceu lá, entrevistou todo mundo e a matéria foi capa do Folhateen. Imediatamente usamos e-mails fakes na lista Gaia-Paganus e nos mostramos indignados com o fato das meninas de Sampa saírem no jornal sem sequer citarem a organização nacional/mundial lá no Rio. A tal de Freya engoliu a isca, ficou mordida e foi tirar satisfação, afinal, as meninas deveriam ser subordinadas a ela, pelo menos em tese.

Como o clima não andava lá muito bom, com isso explodiu uma briga de egos sobre quem manda em quem, qual tipo de satisfação deveria ser dada, um lado acusando o outro de usar os encontros para se promover e tudo sendo cuidadosamente aumentado pelos nossos mails fakes. Ao mesmo tempo o Leósias e Dante começaram a participar de lista tentando apaziguar as coisas, num diálogo para reconciliar os lados.

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van

Quando todos finalmente voltaram a si, estavam deitados em uma van. Em volta deles se encontravam outros membros do grupo que não haviam sido convocados para esta missão: Lesma, Safires e Lilith, com Rocco ao volante. Dante foi o primeiro a conseguir falar algo:

– Eita porra… O que aconteceu?

Rocco gritou lá da frente:

– Mamãe tentou falar com vocês via celular e não conseguiu. Tentou o elo psíquico e nada também. Então fomos convocados para o resgate!

Noname parecia estar acordando de uma ressaca:

– Poutz… E como vocês conseguiram?

– O único cara que poderia me encarar estava desmaiado no quarto. – comentou Lesma, sorrindo. – As minas não quiseram encarar minha boken e o Rocco ali quebrou o rádio com um chute para mostrar que não estávamos brincando. Sem o som a energia lá baixou legal.

– Isso não muda o fato de que caímos como amadores na porra da armadilha delas. – disse Leósias, voltando a si. – Não sei vocês, mas não estou a fim de deixar isso barato. Subestimamos as garotas, mas saquei o ponto fraco delas: tiram suas energias dos outros e para isso precisam de muita gente. A questão agora é fazer essa porra de encontro virar um caos, no sentido pejorativo mesmo.

Noname suspirou:

– E você já tem um plano em mente, certo?

Leósias sorriu sem graça:

– Não. Mas vou ter. E aí juro que fodo com aquela Bela, e não é no sentido bíblico.

O interior da van explodiu em gargalhadas

(a seguir: o final!)

torre

A confraternização era em um apartamento de uma delas, próximo ao parque. Dava para ir a pé até lá. No meio do caminho, Dante ficou um pouco mais atrás com o resto do grupo e comentou:

– Galera, a casa delas é exatamente em cima da Linha de Ley que passa pelo Parque Trianon e pelo MASP, queria acreditar que é coincidência, mas…

– “Coincidências não existem”. – disseram todos, contendo a risada.

A turma toda chegou ao prédio. Entraram, subiram pelo elevador e chegaram ao apartamento. A decoração imediatamente chamou a atenção. Havia um pentagrama vermelho pintado no teto, estátuas de bruxas, pôsteres de lobos, uns cinco gatos circulando e uma enorme espada de duas mãos pendurada atrás da porta. Leósias aproximou-se de Noname:

– Caralho, cê viu aquela espada? Acho que não devíamos ter dispensado os Ice Knigths. –começou a olhar ao redor. – E, outra coisa, essa casa era pra ser um poço de energia negativa, mas os gatos e o pentagrama estão amenizando a coisa toda. Mesmo assim, eu consigo sentir. Vamos erguer um Círculo Branco em torno de nós.

– Círculo Branco? – Noname contorceu o rosto com desdém. – Porra, isso é técnica dos Rosa-Cruzes Áurea!

– Eu sei. Mas é fácil e rápido de fazer, além de nos proteger dos ataques psíquicos e mentais mais óbvios. Vamos falar com os outros.

Visivelmente contrariado contrariado, Noname saiu para passar o recado. Então chegou perto de Leósias um rapaz alto, forte, careca, de bigode, cavanhaque e óculos escuros. Ele estava no encontro com a donas do apartamento Abriu um sorriso nem um pouco sincero e perguntou:

– Lembro que você falou lá no ESP que lia tarô. Por acaso seu baralho tá aí?

Leósias resolveu entrar na conversa enquanto tentava entender a situação:

– Tá sim.

– Tem como você ler pra mim?

Decidiu ver aonde aquilo ia dar:

– Claro, só vamos para um lugar mais reservado.

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