Posts com Tag ‘literatura’

(Publicado originalmente no Contraversão em 15/07/2013)

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George R. R. Martin ficou famoso no Brasil devido à série de fantasia medieval As Crônicas de Gelo e Fogo, mais popularmente conhecidas como Game of Thrones / Guerra dos Tronos, nome do primeiro livro da saga. O estilo realista, a trama política e a sanguinolência que permeiam a obra a tornaram um sucesso de público e crítica, com um seriado de TV baseado nos livros que tem feito tanto sucesso quanto sua versão escrita. Mas, antes de narrar a guerra pelo Trono de Ferro, Martin foi um dos responsáveis pela criação de um universo tão rico quando Westeros: a série de livros Wild Cards (Cartas Selvagens, em português).

Dizem as lendas que Wild Cards era o cenário de RPG de uma campanha envolvendo super-heróis e que Martin era o narrador do grupo. Os jogadores ficaram tão envolvidos com a mitologia criada que resolveram transformá-la em uma série de contos ambientadas nela (quem nunca?), com Martin servindo como organizador e editor. A ideia foi um sucesso e gerou uma série de livros que já está em seu 22° volume (e ainda não acabou!), adaptações para HQ e um retorno ao RPG.

A trama gira em torno de um vírus alienígena que infecta o Planeta Terra após o término da Segunda Guerra Mundial e seus efeitos na história da humanidade. Desenvolvido pela civilização avançada do Planeta Takis, ele possui a capacidade de causar mutações únicas nos humanos infectados, de acordo com as predisposições de cada indivíduo. Como os efeitos de uma infecção em massa eram desconhecidos, os takisianos resolveram fazer o teste em um planeta onde a espécie dominante possui o código genético idêntico ao deles. No caso, o nosso planeta.

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Após um jantar romântico e uma noite de sono na casa do namorado, Joana acordou e percebeu que estava com um problema bem estranho: Mauro, seu namorado, não acordava de jeito nenhum! Quando já pensava em ligar para algum serviço de emergência, recebeu a visita de uma entidade chamada Anaoj. Ela explicou que Mauro só acordaria se Joana descobrisse dez coisas que não soubesse sobre seu namorado. Para isso, ia precisar encontrar dez pessoas com estas informações. O problema é que nenhuma delas estaria disposta a passá-las. Não sem um preço.

Esta é a premissa de Dito pelo não dito, um romance-mosaico independente que está com uma campanha de financiamento coletivo no Catarse.

Como assim, “romance-mosaico”?

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(Publicado originalmente no Blog da Fnac em 18/04/2013)

 

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“ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn”*.

Em tempos antes do próprio tempo, seres ancestrais habitavam a Terra, todo o universo e além. Eram seres tão poderosos que suas formas e conceitos não podiam ser compreendidos pela limitada mente humana. Muitos deles partiram para outras dimensões, antes do próprio conceito de humanidade existir. Outros permanecem entre nós, adormecidos nas profundezas do oceano ou nos confins do planeta. Seus adoradores fazem ritos tenebrosos e sacrifícios horrendos, nutrindo uma vã esperança de obterem poderes sinistros ou serem poupados quando seus mestres retornarem. E eles retornarão.

Das regiões mais distantes do universo, diversas raças alienígenas vêm o nosso planeta em busca de minérios ou de experiências cujo objetivo só eles compreendem. Isolados há séculos, começam a ser descobertos com o avanço da civilização urbana. Para preservar a si mesmos e suas pesquisas, iniciam um lento processo de infiltração na sociedade terráquea.

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(Publicado originalmente no Contraversão em 18/08/11)

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Na primeira década do século XX, o que ocupava a cabeça e esvaziava os bolsos de jovens e muitos adultos eram magazines mensais com contos de ficção científica e fantasia heróica. Trazendo quase sempre em suas capas personagens exóticos ou garotas voluptuosas correndo perigo, estas “revistas” eram feitas da parte mais barata do papel, conhecido como “polpa” e deram origem ao termo “Pulp Fiction”.

A revistas pulp não tinham pretensão literária e se destinavam à entretenimento despretensioso, rápido e barato. Mesmo assim, grandes escritores iniciaram suas carreiras nelas. Gente do calibre de Isaac Asimov, Dashiell Hammette Raymond Chandler. E as histórias em quadrinhos começaram sua trajetória como uma “evolução” dos pulps, já que Gil Kane (Lanterna Verde, Esquadrão Atari), Mort Weisinger (co-criador do Arqueiro Verde e do Aquaman) e Julius Schwartz (lendário editor da DC Comics) escreveram nestes revistas também.

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E, dentre as centenas de publicações que existiam na época, uma ostentava o slogan “Uma Revista Sem Similar”. Seu nome era Weird Tales. Foi criada em 1923 por J. C. Henneberger, um ex-jornalista que possuía um peculiar gosto por histórias macabras fossem reais ou fictícias.  O segundo editor da revista foi Fransworth Wight, que tentando equilibrar a Weird Tales entre as exigências do mercado e seu gosto por literatura fantástica, deu a publicação uma identidade única.

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(Publicado originalmente no Blog da Martins Fontes Paulista em 16/06/2012)

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Dia 16 de Junho é uma data especial para os fãs do escritor irlandês James Joyce, pois ocorre a comemoração do Bloomsday. O nome vem do protagonista do livro Ulysses, Leopold Bloom.

Na obra, 18 capítulos narram aproximadamente 18 horas do dia 16 de Junho na vida do vendedor Leopold Bloom e situam os personagens e incidentes a Odisséia de Homero na Dublin de 1904, em uma paródia da obra grega. Cada um dos capítulos tem estilo literário próprio, além de fazer referência a uma parte da obra de Homero e ter associado a ele uma cor, uma arte e um órgão do corpo humano.

Joyce utilizou do fluxo de consciência e diversas técnicas literárias para apresentar os personagens e detalhes do cenário. Ao mesmo tempo em que elementos da mitologia clássica e a maior parte do foco está na mente dos personagens, há um detalhismo extremo na descrição da cidade. O resultado é uma escrita em que a miscelânea de estilos se alia à uma estrutura formal, o que tornou o livro essencial para o desenvolvimento da literatura modernista do século XX.

(Publicado originalmente no Contraversão em 21/08/2013)

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“Se você acha ‘OK’ que o cara que te zoava por ler gibi na escola agora pagar de entendido por ver dois filmes do Wolverine… Daí vai do seu coraçãozinho. O meu não acha justo!”

Presenciei nas últimas semanas duas ondas de fúria nerd que considerei, para ser educado, desnecessárias. A primeira veio de um anúncio mal interpretado da autora de saga Crepúsculo, onde anunciou que gostaria de passear pela Terra Média. Multidões ergueram tochas e ancinhos, ao invés de ler o texto original e perceber que ela só manifestou uma vontade de escrever fantasia medieval. A inquisição das redes sociais é tão manipulável e implacável quanto a de Torquemada.

A outra veio de um bate-papo entre amigos sobre Círculo de Fogo, filme sobre robôs e monstros gigante de Guillermo Del Toro. Vi o filme e gostei bastante, mas parece que sou uma exceção à regra entre os entendidos do assunto. Li coisas como “O diretor chegou tarde em uma festa que já acabou”, “Já fizeram coisa melhor antes” e a que considerei melhor de todas “Pacific Rim é tão coisa pra civil que todo otaku de meia tigela sabe que cockpit de mecha não fica na cabeça, isso é uma heresia contra todo o cânone dos robôs japoneses”.

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(Publicado originalmente no Blog da WMF Martins Fontes em 20/06/2012  e repostado aqui com atualizações)

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Pintor, desenhista, ilustrador e escritor, Paulo Pasta nasceu no interior de São Paulo, na cidade de Ariranha. Formou-se em Artes Plásticas pela ECA/USP em 1983 e partir daí fez cursos nas mais diversas áreas: desenho e gravura em metal, litografia, serigrafia e pintura. Ministrou cursos na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Faculdade Santa Marcelina, Fundação Armando Álvares Penteado e Universidade Presbiteriana Mackenzie. Também ministrou cursos livres em importantes instituições culturais, como o Museu Brasileiro de Escultura e o Instituto Tomie Ohtake.

Realizou sua primeira exposição individual em 1984, na Galeria D. L. H., e já recebeu o Prêmio Brasília de Artes Plásticas no Museu da Arte em Brasília e o Prêmio Price Watterhouse – Conjunto de Obras. Formou-se mestre e doutor em Artes Plásticas pela ECA/USP, aonde ministra aulas e tem suas obras incluídas em importantes acervos e museus nacionais.

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Seu último livro, A educação pela pintura, reúne seus textos sobre arte dos últimos cinco anos. São pequenos ensaios sobre pintura e pintores, feitos em sua maioria para exposições ou seminários. Complementando a obra, são apresentadas quatro entrevistas que o pintor concedeu, permitindo ao leitor observar as mudanças tanto do processo de criação de Pasta quanto de seu modo de compreensão da arte.

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